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“... O que o zóio num vê o coração num sente...”
O SUS e a Sabedoria Caipira Lamentavelmente o contador de Causos não pode ficar apenas nos seus assuntos do dia a dia. De vez em quando necessita partir para as bandas da crônica e levantar problemas de reflexão. Pensar é coisa que o caipira sabe fazer e muito bem. “Fazer parafusos” como costumam dizer. Mas então vamos lá ao que interessa. Vamos pensar em Saúde Pública que dizem ser um direito do Cidadão e dever do Estado. Os meios de comunicação fazem campanha em massa para os exames preventivos. O caipira concordaria, mas com suas palavras: “...È melhor prevenir que remediar...” A impressão que se passa é de que os cidadãos são relaxados e não pensam em sua saúde. Que se as autoridades “não lembrarem” todos morrerão antes de fazer os 50 anos. Mas a coisa não é bem assim. Mesmo contando com o “relaxo” do cidadão, para se agendar, fazer e obter diagnóstico indicador e não definitivo levam-se, às vezes, seis meses. Se partir para exames mais detalhados e conclusivos, mais quantos meses? E se precisar de internação para cirurgia “ai é que o bicho pega”. Os planos de saúde, pelo que se ouve na mídia se assemelham a bilhete de loteria. Chega na hora da precisão, tem um tal de: “ num cobre isso, num cobre aquilo, doença preexistente”. O fato é que estarão as autoridades prevenindo contra os males ou deixando as brechas para poder “tirar o corpo fora”? Eu como cidadão, se me preocupo demais com minha saúde posso ser taxado de neurótico ou hipocondríaco. Caso contrário, relaxado. “Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come”. Imagine (e isso tem acontecido com freqüência com autoridades) se em um exame preventivo(para as autoridades recebe o nome de exame de rotina) descobre-se que o indivíduo tem uma doença grave e precisa urgente de cirurgia e tratamento? Mas tratamento urgente como, se só um agendamento leva mais de seis meses? E como é o ambiente onde acontece essa espera? Filas com pessoas em macas e, às vezes, deitadas no chão.É essa uma sala de estar para relaxar e esperar com calma? Parece que as autoridades acham que o contribuinte é uma máquina. Que não tem alma e não pensa. Que tem de ficar despreocupado esperando a sua oportunidade chegar. Que ficar preocupado com o fim próximo é uma questão de opção. Que só faz isso por que quer. Certa vez meu amigo Edsin , de Ilha Solteira, manifestava preocupação com a segurança de sua filha que morava em Campinas. E ela lhe disse que precisava parar de se preocupar. Indignado respondeu: “...você pensa que sou uma rádio vitrola com som alto? Que para resolver o problema é só tirar o fio da tomada? As pessoas têm alma. O desequilíbrio emocional é mais doloroso que os sintomas de qualquer outra enfermidade. E é isso que o Poder e a Sociedade vem fazendo com as pessoas. Tentando convencê-las através do medo. “...o medo de sofrer é maior que o próprio sofrimento...”(Paulo Coelho). E daí as pessoas acabam ficando cada vez mais resistentes em enfrentar a verdade. Assumem o comportamento de avestruz, que diante de qualquer ameaça mais grave enterra na areia sua cabeça e nada mais sabe do que está acontecendo em sua volta. (oldack/12/05/012).X
Escrito por Oldack às 17h35
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Mazzaropi e o Caipira “... a lógica apresenta certas soluções que a própria lógica desconhece...”  Mazzaropi nunca foi um caipira. Foi isto sim, um artista que trazia nas veias esse divino dom que é o de representar. Em sua biografia, se não me engano, nada diz que ele tenha levado uma vida na roça com a pureza e as dificuldades que esse tipo de vida oferece. O que pode se notar é que seu Avô era tocador de viola e animador de festas. Esse é o dado que tenho. O Caipira, foi o filão por ele encontrado para exercer essa função no meio artístico. Sabia ele o que o matuto gostava de ver e ouvir, aquilo que no dia a dia, era. Alegre, imaginoso, inteligente e criativo. E assim partiu para essa especialidade e foi muito bem sucedido. Conheci Mazzaropi pelo Rádio, no início dos anos 50. Tocávamos uma roça ás margens da Água do Limoeiro ( próximo de onde hoje fica meu Reino encantado), ao lado de uma pequena cachoeira que tinha a função de oferecer seu barulho como uma canção de ninar nas noites frias, escuras, enluaradas e quentes como é próprio do clima daquele lugar. Aos domingos a noite íamos ao patrimônio de Roseta (1 km e meio), “escutar rádio”. Quais eram os programas preliminares não me lembro, mas o principal era Mazzaropi (7 minutos e meio). Adultos e crianças faziam um ajuntamento próximo ao aparelho que ficava na casa do Tio Juvêncio. Disse ajuntamento porque rádio não precisa ser visto, mas apenas ouvido e dai a posição para assistir ao espetáculo não precisa ser privilegiada. O som é algo extremamente democrático. Entre os inúmeros “Causos” por ele contados e depois repetidos por meu Pai nos eitos, na hora do café na roça nas sombras das árvores mais próximas, está o de um caipira em viagem à Capital de S. Paulo. Já com fome entrou numa pastelaria para fazer ali sua refeição. Um cartaz anunciava: De carne, de queijo e de palmito. Fez o pedido: “Mi trais dois di parmito e pra bebê água de torneira memo”. Num instante foi servido. Examinando com uma rápida “corrida de zóio”, solicitou: “Oia! Troca esses pasteis di parmito por dois di carne”. Foi atendido. Comeu, até que devagar, limpou a boca na manga da camisa, tomou a água. Ficou parado um bom tempo apreciando o movimento. Apanhou o chapéu novo de palha, bateu com ele nas pernas como se estivesse limpando as migalhas, olhou calmamente envolta observando o ambiente, levantou-se e começou a sair. Foi interpelado pelo garçom: “Ué! Não vai pagar?” “Pagá u quê?” “Os pasteis, ora! Os pasteis de carne que o senhor comeu! “Mais us de carne num perciso pagá! Troquei pelos di parmito!”.“Sim! Então paga os de palmito!” “Ué! Mais us de parmito eu troquei pelos di carne!!!” (oldack/06/05/012).X |
Escrito por Oldack às 18h26
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O Acontecer e o Livre Pensar “... é melhor escutar besteira que ser surdo...”

Quem é “rato de internet” está sabendo da cena à qual vou me referir neste escrito. Um manso e folgado cavalo velho, atado por meio de suas rédeas a uma cadeira de plástico que pesa no máximo 2 quilos. E ali está ele impassível sem se preocupar com o que pode acontecer ou então o mais grave: o que vão pensar dele. O mais comum é que seus inquietos observadores já vão filosofar que: “muitas vezes não conhecemos o tamanho e o peso dos obstáculos que se interpõem entre nós e nossos objetivos”. Ou então se for mais pessimista (como foi uma amiga minha): “fica quietinho ai senão vai ver as pauladas que vai levar quando chegar em casa”. Na minha convivência que tive, tenho e vou continuar tendo com as coisas da Natureza, sou mais ameno: “Me espera ai um pouquinho que vou comprar uma mistura pra Mãe fazer pro almoço e já volto”. Quem já trabalhou com animais sabe que o que estou falando não é “filosofismo” e muito menos instrumento de projeção de minhas fraquezas. É realidade. O animal foi EDUCADO (condicionado, treinado como querem aqueles que acham que cavalo é tão somente um instrumento de trabalho) para a convivência com o ser humano. O Homem tem a mania de achar (não sei quem inventou isso!) que ele é o Rei da Criação. É tão fraco que se não fosse um equipamento que tem, chamado INTELIGÊNCIA, nem sobrevivido teria. O mais, é como dizia meu Caipira e Velho Pai: “É procurar chifre em cabeça de cavalo”. Desculpem o trocadilho (detesto esse recurso). (oldack/29/04/012)X
Escrito por Oldack às 16h46
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A Garupa e a Boa Notícia “...as boas notícias também nos pegam de surpresa...”

Me perdoem os leitores conterrâneos e contemporâneos se neste “Causo” houver alguma discrepância com a realidade. Acontece que o contador de “Causos” não deixa nada em aberto. Quando algum detalhe estiver turvo pela poeira do tempo, ele inventa. Estava eu em Assis, no ano de 1 955, já na segunda quinzena de Abril, cursando a primeira série ginasial (hoje 5.a série do ensino fundamental) quando nasceu a Betinha, primeira filha da prima de minha mãe, quer dizer minha prima também. Éramos unidos muito mais pelo amor do que pelos laços sanguíneos. Betinha nasceu do casal Arnaldo Lopes Salgado e Therezinha Alves. A vida desse casal serviu de modelo para a formação de minha família. Quer na formação integral dos filhos (eles tiveram 3 e eu 4) como em pequenos detalhes, como por exemplo adoçar o café na xícara, coisa que me fascinava e até hoje ainda faço. Esse pequeno detalhe é apenas um sintoma de como eu os admirava e continuo admirando. O nascimento do primeiro filho é o primeiro passo que damos em direção à Eternidade. A euforia dos pais só não era maior porque não tinha como avisar os avós (D. Duvina e Seu Chicoarve) que moravam no sítio na Água da Cobra, município de Maracai. Com a admiração que eu tinha pelo casal não ia deixar nada manchar essa alegria. Me prontifiquei ir levar a boa notícia ao vivo, até porque não tinha outro meio de comunicação mais rápido. Às 12:30h peguei um ônibus para Paraguaçu Paulista e lá, as 2:30h. pegaria a Jardineira do Casanova e desceria na porteira da fazenda. Como tinha chovido muito pela manhã, o Casanova já foi avisando os passageiros que não passaria pela Roseta porque não conseguiria vencer a subida da Água da Cobra. Fui mesmo assim. Faria o restante do caminho a pé. Descemos ali na entrada para Roseta, eu e o Nestor (genro do Marcolino). Quando cheguei ali no alto do João Machado (Dr. Fadul), hoje Rancho Alegre, avistei a sede do Chicoarve e a Roseta. Era um perfeito triângulo eqüilátero (3 km.). Se passasse pela Roseta teria que andar o dobro. Resolvi atalhar. Desceria pela Água da Lagoa e atravessaria numa velha ponte, feita pelo Chico Português, meu Pai, a qual ficava dentro das terras da fazenda, no Rio Capivara. Não havia estrada e eu nunca tinha passado por ali. O Nestor continuou em direção à Roseta. Quando eu já havia vencido metade do percurso acabava a estradinha e ficava só um trilho das vacas num pasto de capim Jaraguá. Começava a escurecer. Daí surge não sei de onde um cavaleiro. Não o reconheci pois já estava escuro e logo foi me perguntando: “... que qui ucê tá fazendo aqui meu fio?...” Contei-lhe tudo que vocês já sabem. “...sobe aqui qui vô ti levá lá...” Como é do meu feitio, não fiz “frescura”. Estendi-lhe o braço esquerdo e num solavanco já estava na garupa. Ai foi um pulo. Cheguei e dei a notícia que, de tanta alegria, ninguém se lembrou de perguntar como tinha chegado aquele tão bem recebido mensageiro. “... o José tá na Roseta, mas logo chega...” Nisto avistamos a luz da camionete. O Nestor já tinha lhe dado a notícia. Não houve tempo para mais nada. Subimos na camionete e nos mandamos para Assis. Ao passar em frente o cemitério de Roseta, um cavalo estava amarrado no portão. E a Madrinha Duvina fez a seguinte observação: “... Nossa! Um cavalo igualzinho àquele que o “Papai” tinha!!!”. E eu completei: “Foi nesse cavalo que aquele Velho senhor me trouxe em sua garupa!” (oldackmendes.zip.net/17/04/012) PS. O “Papai” era meu bisavô que viera de Minas com toda sua família, no começo do século passado e tomara posse das terras na barra da Água da Lagoa, local onde fui encontrado e recebi a ajuda na tão necessária GARUPA.X
Escrito por Oldack às 09h19
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O Cidadão e a Lei “... o aspecto mais importante da Lei é não precisar dela...” 
Como não sou entendido em Lei, esta crônica poderá ficar parecida com o “Samba do crioulo doido”. Então irei discorrendo de acordo com as conclusões que emergem neste experiente cérebro com seus neurônios beirando ao vencimento do prazo de validade. O advogado de um famoso senador, baluarte da moral e bons costumes, símbolo do combate à corrupção nos meios políticos, vendo seu cliente soçobrando nas ondas de um grande rio que se aproxima de enorme cachoeira, saiu-se com essa: “Vamos defender a tese de que as escutas telefônicas contra o Senador não tem validade legal pois ele tem foro privilegiado e só o STF poderia autorizar a operação...” O que é de observar é que em nenhum momento se atreve dizer que seu cliente é inocente. Diz apenas que as provas foram conseguidas de forma ilegal. Por isso que um velho conhecido nosso (que até já esteve preso, por pouco tempo, e nem sei como) sempre diz quando abordado pela imprensa: “...nunca fui condenado! Ninguém tem provas!!!”. Não se atreve dizer que é inocente porque vão pensar que é mentiroso. Outro dia a Justiça disse alguma coisa polêmica sobre os assassinos bêbados ao volante. Que tal instrumento não pode ser usado que ninguém pode gerar provas contra si mesmo... E assim o Homem vai ficando enrolado numa emaranhada teia que ele mesmo criou para defender os inocentes. A Lei, ora a Lei... Daqui a pouco provas contra o adultério só com testemunhas oculares do ato sexual. É certo que alguns Pais da Pátria (com licença, Vicente Leporace!) entrarão com projetos de leis que obrigarão os quartos dos motéis, em todo território nacional, ter pelo menos um parede de vidro transparente para facilitar o trabalho da polícia e das testemunhas. A Lei, como já disse aqui em outra situação, é fantástica na defesa dos direitos humanos, mas tem efeitos colaterais devastadores... E os recursos? (seria auspicioso que ninguém perguntasse quanto custam). Até me arrepio quando vejo na TV o julgamento de altas personalidades acusadas de pesados crimes. Vem a sentença 58 anos de reclusão em regime fechado. E daí vem o assustador complemento: AINDA CABE RECURSO SOBRE ESTA PENA QUE FOI APLICADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. O REU VAI AGUARDAR O RESULTADO EM LIBERDADE... E de recurso em recurso a personalidade vai vivendo livremente até que a pena se prescreve, afinal todo mundo sabe que os meios forenses estão abarrotados de serviço... E o pobre diante disso! O que fazer??? Pedir a interseção do Criador. Afinal de contas ele é responsável pelo HOMEM... Uma criatura que não deu certo...(oldackmendes.zip.net – 05/04/012)X.
Escrito por Oldack às 14h34
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Ideologia, Inteligência e Criatividade “...Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim...(Millôr Fernandes) 
Cumprindo o compromisso assumido, aqui estamos para completar o “ IDEOLOGIA, INTELIGÊNCIA E CRIATIVIDADE”. Como sabemos, o seqüestro do embaixador americano Charles B. Elbrick(1969) visava a libertação de 15 presos políticos, entre eles os líderes Vladimir Palmeira e José Dirceu. Dos dois lados se encontravam as propagandas ideológicas com muita criatividade e inteligência. Por exemplo a situação (ditadura), diante da insatisfação de uma grande parcela da população, fez uma campanha materializada em adesivos destinados aos para brisas dos carros. O automóvel na época era o grande sonho de consumo de todo cidadão brasileiro. E, portanto, nenhum detalhe que estivesse nele passava despercebido. Dizia o adesivo em verde - amarelo: BRASIL AME-O OU DEIXE-O. E lá vem a criativa resposta da oposição (subversivos), que primeiramente apareceu em manchete na primeira pagina do PASQUIM, Jornal de humor com ideologia de esquerda, do qual faziam parte( Millôr, Sérgio Cabral,(pai não o filho que hoje é governador do Rio e, ao que tudo indica, não saiu ao pai ) Henfil, Ziraldo e muitos outros: BRASIL AME-O OU DEIXE-O... O ÚLTIMO QUE SAIR APAGUE A LUZ DO AEROPORTO... Pois bem voltemos ao seqüestro. Os 15 a serem libertados (subversivos, como eram chamados pelas autoridades) deveriam ser levados para o México como exilados políticos. Depois de contatos com cada um em particular e de plena certeza de que estavam fora de risco, o embaixador seria libertado. O governo brasileiro atendeu por completo as exigência dos seqüestradores uma vez que estavam se pelando de medo de represálias do “grande patrão”, os EEUU. Uma vez já no México os líderes, e fora de perigo, chegou o momento esperado pelas autoridades. Na soltura do embaixador poderiam colocar as mãos na “quadrilha de subversivos”. Todos os veículos suspeitos eram seguidos pelos agentes do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha). Daí vem a saída criativa. Estavam os guerrilheiros, com o embaixador, numa velha Kombi azul. De acordo com o planejado, no momento em que se aproximaram do Estádio do Maracanã, já em frente ao portão principal, acabou o jogo de um clássico, AMÉRICA E FLAMENGO. Uma avalanche de torcedores invadiu a rua deixando a velha Kombi como uma inatingível ilha. Os seqüestradores se misturaram à multidão e se mandaram, o embaixador foi deixado na viatura “à própria sorte”. Desceu, tomou um táxi e pegou até a sua própria família de surpresa. Agora a saída experiente e inteligente das autoridades. Encontrada a casa que serviu de cativeiro, uma minuciosa varredura foi feita. Depois de vários dias, examinado o lixo com jornais velhos, numa pagina de classificados de “aluga-se”, um anúncio havia sido recortado. Poderia estar ali o endereço da nova moradia dos subversivos (conhecido como aparelho). E era! Franklin Martins e mais alguns conseguiram fugir e se exilaram no Chile... E assim vira-se essa página de nossa história que o tempo lhe deverá fazer a devida Justiça...(oldackmendes.zip.net-/05/04/012)X
Escrito por Oldack às 13h22
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Ideologia, Inteligência e Criatividade “...cada ideologia tem a ditadura que merece...” (Millôr Fernandes)-adaptado Interessante como os “Causos” são lembrados por fatos que estimulam nossa memória. O contador de “Causos” raramente inventa. Ele até que aumenta. Mas na verdade coloca o tempero na narrativa. É preciso um fato ou uma cena. Apareça ela onde aparecer. Ontem (26/03/012) por exemplo, via eu o primeiro capítulo de Avenida Brasil quando apareceu o Maracanã lotado numa final em que estava participando o Flamengo. Diante daquele espetáculo de manifestação popular, veio à minha memória um fato importante na História Política do Brasil. O seqüestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick em 1969. Eu trabalhava de narrador de jornal falado na Rádio Presidente Prudente quando o fato ocorreu. Era universitário, no último ano de faculdade e pertencente ao grupo de risco dentro ditadura. O AI-5 era o principal instrumento e arma do governo. A guerrilha urbana era o instrumento dos adversários ideológicos da ditadura. As atividades eram assaltos a bancos e seqüestros. Lemos sucintamente pequenas notas sobre o seqüestro do embaixador. Mas repentinamente cai sobre nossa mesa uma carta em letra de um tipo muito maior que o usual. Era a primeira exigência dos seqüestradores. Leitura da carta em toda a imprensa nacional. Cumprimos a tarefa com muito temor e apreensão. Mas não deixei de colocar uma certa euforia na interpretação. Outra exigência importante era a libertação de 15 presos políticos dentre eles os líderes estudantis Vladimir Palmeira e José Dirceu. Franklin Martins, hoje homem do governo, era o redator do documento que narrava, na ideologia dos guerrilheiros, a situação político social do Brasil. Na época quase tudo que soubemos da missão foi através dessa carta, empurrada pela goela abaixo da ditadura e de seus simpatizantes que temiam severas represálias dos americanos caso algo desagradável acontecesse ao embaixador. Hoje o documento na íntegra está à disposição na Internet. O mesmo Franklin Martins e Cid Benjamim foram os idealizadores do seqüestro que visava principalmente a libertação do líder estudantil Vladimir Palmeira. Era uma tarefa muito mais simples que uma invasão da prisão, como pensavam, para realização de tal intento. Assim vimos a força ideológica das duas partes envolvidas. Na próxima semana terminaremos essa narrativa onde a INTELIGÊNCIA e a CRIATIVIDADE serão as principais estrelas no palco da vida política de nosso país. (oldack/27/03/012)X
Escrito por Oldack às 16h09
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O crime e a punição Quando vejo nos meios de comunicação notícias sobre crimes misteriosos em que não se encontra o corpo ou não há motivos evidentes para o acontecido, fico muito preocupado. Lembro-me de uma frase não sei de quem: "'E preferível deixar 100 assassinos soltos a se manter em cárcere um inocente". Certos órgãos de imprensa patrocinam o linchamento psicológico dos suspeitos. A perícia acusa. Não há dúvida de que o assassino seja aquele. Mas, como todo o universo do conhecimento é passível de falhas, e se a perícia errar? Dependendo de como o inquérito é conduzido nem a confissão é verdade absoluta. Esse comentário inicial me faz lembrar o Caso dos Irmãos Naves, fato ocorrido durante o Estado Novo, no Triângulo Mineiro, ou mais precisamente em Araguari. Conta-se que Benedito Pereira e seus primos Sebastião e Joaquim, formavam uma sociedade na compra de cereais. Enquanto os negócios iam bem a parceria crescia a todo o vapor. Mas os reveses começaram a ficar frequentes, assim a confiança bem como a paz deixaram de existir no grupo. Certa feita, como as dívidas eram muitas, Benedito, sem consultar os demais sócios, vendeu da noite pro dia todo o estoque. Fazendo as devidas correções o arrecadado seria de aproximadamente 300 mil reais. Pra maior surpresa de Sebastião e Joaquim, Benedito desapareceu misteriosamente. Imediatamente os irmãos foram à polícia. Era delegado um tenente, apelidado "Chico Vieira". Diante da falta absoluta de testemunhas, e conhecedor das razões do caso, o delegado passou a supeitar dos denunciantes. Não teriam, os irmãos Naves assassinado Benedito, pra ficar com a quantia arrecadada com a venda? Apoiado nos métodos da Ditadura, e na sua deformada personalidade, partiu para obter dos novos suspeitos, uma confissão sumária. Depois de uma série de "Depoimentos", que me recuso a narrar, pois não quero ser mensageiro de figuras bizarras que habitam entre os seres humanos,a confissão foi conseguida. Sem o aparecimento do corpo da vítima. Depois de encontros e desencontros nos meios judiciários, os irmãos foram condenados a 16 anos de prisão. Cumpridos 8 ANOS de cárcere, foram colocados em liberdade "por força da lei". Quando tudo tinha caído no esquecimento do público, eis que, num município vizinho, Nova Ponte, aparece muito bem vivo, Benedito Pereira, "a vítima do assassinato". Reviravolta no processo, e os Irmãos Naves movem contra o Estado uma ação exigindo indenização. Joaquim, acabou morrendo, como indigente, num asilo em Belo Horizonte, de doença contraída devido à tortura e à permanência insalubre na prisão, antes de ver o resultado do julgamento. Sebastião ainda viveu o suficiente para assistir nos tribunais a vitória que encerrava a trágica catástrofe que se abateu sobre a família Naves. O ESTADO PAGOU A INDENIZAÇÃO QUE ACHOU SER JUSTA, MAS SERÁ QUE O SOFRIMENTO DE DOIS INOCENTES NO CÁRCERE TEM PREÇO? (Oldack/05/07/010 - Reeditada em 25/03/012)X.
Escrito por Oldack às 19h21
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O Velho e as Ninfetas “... tudo que é saboroso ou belo, ou faz mal para saúde ou então é pecado...” Como previ, começaram chegar as primeiras correspondências eletrônicas trazendo sugestões para “Causos”. Tomarei a iniciativa de manter no anonimato os meus colaboradores. Por duas razões: Se o “Leitorado” gostar pode advir uma popularização, normalmente indesejável. Se não gostar, certamente virão as espinafrações, muito menos desejáveis. Assim sendo usarei o expediente dos antigos filmes da “20th. Century Fox: Os personagens deste Causo são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas e mera coincidência”. Mas o colaborador sabe que estou falando dele. Aproveitaremos para apresentar uma prova viva do choque de gerações, um fenômeno muito comum entre os Humanos. Pretendo também não “puxar a brasa para sardinha” de ninguém. Deixo de lado a beleza, o perfume, a alegria e o amor à vida dos Jovens e também a serenidade e a sabedoria dos Velhos. Mas vamos lá... Certa feita um Velho sitiante (82 anos) resolveu dar uma volta pela sua propriedade na parte dos fundos onde corria um caudaloso ribeirão protegido por uma densa mata ciliar. De pontos em pontos podia se ouvir o rumor de água de corredeiras e pequenos saltos. A Natureza sempre se incumbe de colocar junto às quedas de água pequenas piscinas naturais. Como a vegetação havia sido recuperada, fazia mais de 30 anos, era constituída de infinitas espécies de árvores, mas com grande quantidade de frutíferas. Lá se encontravam goiabeiras, mangueiras, limoeiros, seriguelas, jabuticabeiras, enfim um verdadeiro pomar silvestre. Nosso herói levava um balde porque os pássaros nunca davam conta da abundância de tanta fruta. Repentinamente, junto com o ruído das águas misturou-se o som de algazarra de crianças brincando numa das piscinas naturais. Esse ruído é de uma beleza que só perde para uma orquestra de pássaros. Mas, a bem da verdade, não se tratava de crianças. Eram jovens moças, sete ou oito, amigas de duas filhas de um grande amigo e vizinho seu. Pelo ruído era mesmo um belíssimo espetáculo. Mas quando visualizou o bando na parte raza da piscina percebeu que a visão era de uma beleza muito mais extraordinária. Todas estavam completamente nuas. Parou e ficou encantado com a cena. Quando perceberam, motivadas pelo susto, se jogaram como se fosse um bando de capivaras, para as partes mais fundas do lago. Ficaram apenas de cabeça de fora. Uma das mais velhas e filha de seu amigo vizinho, teve mais coragem e gritou: “...cai fora velho safado. Enquanto não for embora daqui não sairemos. Não vamos servir de enfeite para as fantasias de um tarado e velho sem vergonha!!!...” Surpreso não só com a visão paradisíaca mas também com a reação do grupo, foi auxiliado pelo seu Anjo da Guarda que estava de plantão. Mostrou balde e falou: “... não estou interessado em ficar vendo um bando de meninas peladas. Vim apenas trazer uma barrigada de leitoa para os jacarés que são de minha estimação e os crio nesta lagoa...” Como por milagre e sem que pudesse medir a relação tempo velocidade, saíram e passaram por ele que, mesmo que quisesse ver algum detalhe mais belo do espetáculo era impossível. Afastou-se e foi embora continuar a sua colheita de frutos, sem saber como as encantadoras figuras voltaram para apanhar suas roupas que estavam no momento, aos seus pés... (oldack/18/03/012).X
Escrito por Oldack às 11h50
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Escrito por Oldack às 11h45
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Maria Rita Maria Rita chegou!!! Viu Homens trabalhando, Viu velhos morrendo, Viu Homens trabalhando. Viu poderosos mandando, Viu humildes servindo, Viu Homens trabalhando. Viu mendigos pedindo, Viu avarentos negando, Viu Homens trabalhando. Viu arranha-céus se levantando, Viu barracos caindo, Viu Homens trabalhando. Viu os ricos distribuindo migalhas Viu os pobres recebendo,agradecendo,comendo, morrendo... Viu Homens trabalhando. Viu crianças nascendo Viu crianças morrendo, Viu DEUS se escondendo. Não gostou, mas viu Homens trabalhando e o Pai sorrindo, FICOU!!! OLDACK Ilha Solteira, 14 de Março de 1 971 (NOITE DE LUA CHEIA). O nascimento do primeiro filho nos faz sentir que demos o primeiro passo para sermos Eternos (Pai/14/03/012)
Escrito por Oldack às 15h09
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A Democracia e a Persistência “...se os cargos públicos fossem sorteados pela Loteria Federal ficaria infinitamente mais barato e não teria reclamações...” Tenho um compromisso comigo mesmo de não ficar fazendo crônicas sobre assuntos que estejam ocupando destaque na Mídia. Mas tem hora que fica impossível cumprir os compromissos assumidos. É que na Democracia reina a liberdade absoluta. Até a liberdade de ser PERSISTENTE. Ficam todos discutindo o por quê da aparência estranha de uma determinada flor enquanto o problema está nos olhos de quem a observa. Daí o fato de se sentir a necessidade de participar também. Mas será que vale a pena um humilde colunista (Contador de Causos) de um também humilde Jornal tradicional de uma cidade do interior (A Semana de Paraguaçu paulista) se manifestar? É claro que sim, principalmente quando todos os meios de comunicação PERSISTEM em ver sempre as coisas de um mesmo ângulo, mas que é diferente do nosso.. Pois bem novamente, esta semana, tivemos problemas com provas para concursos públicos, agora do Senado (cargos técnicos e de Segurança). E desta vez o responsável é a renomada Fundação Getúlio Vargas. Já toquei nesse assunto quando comentei sobre o Vestibular. E sendo mais direto tenho uma crônica : O ENEM foi reprovado no ENEM. O que percebo é que tudo é resultado da PERSISTÊNCIA. PERSISTEM na idéia de que a falha está na administração e na elaboração das provas do concurso. Acho no entanto que “o buraco é mais embaixo”. A grande falha, na visão deste humilde colunista de um humilde Jornal do Interior, está no uso do Concurso. Não percebem, mas a fila andou. Se não existe outra forma, que descubram. Existem descobertas muito mais complexas que tiveram êxito. Só que, se não procurar não acha... Não vou agora sugerir por que o Poder tem a mania de achar que, se não for de acordo com o que ele pensa, é bobagem. Nunca tive muita sorte com esse povo!!! Quando era jovem era taxado de radical e agora velho decrépito... Prometo que, de acordo com o número de correspondências que receber, darei “meu palpite”. Já tive algumas experiências. Em escala bem menor, mas deu certo... Só é necessário ter coragem e vontade política. Até arrisco dizer que o uso do CONCURSO é uma cômoda ferramenta para conviver com a Democracia. Se não descobrirem problemas, a culpa é daqueles que foram reprovados. Se não passou, não passou!!!. Se der problema na aplicação a culpa é da Entidade que elaborou. Mas o Poder está sempre a salvo... Interessante, neste caso, é que ficou em segundo plano o número de vagas, os salários e a quem vão atender. Se estão pensando que os salários passam um pouco do dobro do dos professores, estão enganados. Quando me encontrarem eu lhes conto. Vão atender ao Senado. Isso já sei e todos sabem. Além de cargos técnicos tem os de segurança. Como se a polícia que atende a população não tivesse capacidade e competência para cobrir as necessidades desse segmento. Os técnicos precisam ser diferentes daqueles que atendem as grandes empresas Nacionais e Multinacionais? Ironicamente meu Anjo da Guarda que estava de plantão me soprou esta jóia: É QUE NO CASO O ATENDIMENTO É DESTINADO AOS DEUSES DO OLIMPO!!! (Oldack/12/03/012).X
Escrito por Oldack às 14h35
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A Macrobiótica e o Paraíso “...não há mal que nunca acabe e nem bem que sempre dure...” Desde o tempo em que eu trabalhava como locutor de rádio gostava de receber cartas de meus ouvintes. Tinha três tipos de conteúdos. Os que faziam pedidos e sugestões, os que elogiavam e os que “espinafravam”. Hoje recebo pela internet muitos Emails que me dão inspiração. Sugiro a vc, meu caro leitor que entre em contato conosco por Email ou então por telefone (018 9109 5372). Em questão de segundos poderemos aproveitar seu “Causo” e enriquecer meu currículo. Mas o interessante é que surgiu um inesperado efeito colateral. Como tem gente que ao receber um “Email de Massa”, mesmo sem abri-lo, clica e envia pra mim e também para a torcida do Flamengo, recebo de tudo. Isso “é bom” pra ele porque num dá trabalho. Mas tem aqueles que lêem, refletem sobre os conteúdos e depois remetem obedecendo o perfil do destinatário. E o mais importante, acompanhado de um pequeno bilhete pessoal. Isso evita que Hackers se infiltrem entre meus amigos. Daí minha “fatal” conclusão: Pelo conteúdo do Email sei a qualidade do amigo. Então dias atrás recebi um desses instrumentos que me deu inspiração. Não citarei o nome do remetente, por várias razões, ele concluirá que estou falando dele. Mas vamos ao “Causo”: Era um desses casais que dizemos terem nascidos um pro outro. Diferentemente dos humanos, formavam como os pombos, um casal monogâmico. Namoraram a vida toda. A maior parte do tempo caminhavam de mãos dadas. Tinham religião porque isso lhes dava prazer e não para conquistar suas cadeiras no Céu. Quando iam à missa era pra ver a beleza do ritual e encontrar amigos, diferentemente de quase todos, para eles o ato não tinha segunda intenção. O passar pelo tempo provocava mudanças em seus corpos. As rugas eram vistas como reforço para acentuar os contornos e por isso um para outro pareciam cada vez mais belos. E as demais mudanças provocavam os mesmo efeitos. Impossível de relatar aqui cada detalhe, até porque já sabemos o que eles pensavam disso. Para entender as qualidades e defeitos de vizinhos e amigos, colocavam-se no lugar deles e assim não tinham dúvidas no momento de se comportar. As atividades do dia queimavam com vantagem as calorias que sobravam do sustento dum corpo saudável. Quando caminhavam juntos era simplesmente pelo prazer de fazer alguma coisa em comum. A Natureza era para ser contemplada. A alimentação era macrobiótica porque isso lhes dava um enorme prazer e a saúde vinha simplesmente como conseqüência. E assim viviam até que um dia, ele com 94 anos e ela com 92 resolveram fazer uma viagem pelo Oriente. Num acidente com o avião, sem sobreviventes, nossos heróis estavam inclusos. Morreram e foram para o Céu. S.Pedro os recebeu na porta do Paraíso acompanhado de um coral de Anjos(Anjos não tem sexo) que entoavam de Richard Strauss, DAS ALEGRIAS E DAS PAIXÕES(Von Den Freuden Und Leidenschaften). Tudo era muito belo. Um imenso jardim. “Vou levá-los à sua nova moradia,” disse S. Pedro, responsável pela recepção. Casa enorme, com jardins coletivos e não muito distante, a vizinhança que tinha casas diferentes na arquitetura, mas equivalentes em conforto e beleza. Ocupava um espigão e a vista era para uma baía com uma densa floresta tropical que servia de cílios no seu contato com o mar. “Mas quanto vai custar isto? Indagou o novo inquilino. “Nada!” Respondeu o locador. “Vocês pagaram isso lá mundo com seus comportamentos exemplares.” Sem ver nenhum veículo de locomoção e no lugar da garagem um imenso jardim de inverno, quis saber como faziam para ir a locais mais distantes. “Fácil. É só pensar e vocês já estarão lá. Para transportar espíritos não produzimos poluição!!!” Estavam presentes todos os equipamentos de esportes e lazer de provocar inveja nos moradores de condomínios de Orlando. “Parece que vocês num perceberam , mas estão no PARAÍSO!!!.” Disse S. Pedro... Certa feita ela percebeu que ele estava insatisfeito e irritado, coisa que nunca tinha acontecido antes. Perguntou-lhe o por quê. E ele: “Pois é, há mais de trinta anos que poderíamos estar gozando de toda essa maravilha, mas você com sua idiota obstinação por uma M...A de vida saudável, fez com que perdessemos todo esse tempo!!!” (Oldack/03/03/012).XXX
Escrito por Oldack às 08h56
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O Jovem, o Celular e a Coleira Por pior que sejam os males, sempre podemos contar com um bom antídoto...” Hoje em dia a Tecnologia anda em velocidade astronômica. Em questão de dias há um número de evolução que no passado levariam séculos. Um único indivíduo é capaz de presenciar mudanças imagináveis. Eu, por exemplo, para monitorar meus jovens filhos adolescentes, tinha que sair da cama às 4 h. da madrugada, pegar minha velha Caravan 1 977 e sair à procura dos notívagos apreciadores dos fins de semana. Se quisesse botar a cabeça no travesseiro e dormir tinha de ir atrás. Não havia outra alternativa. Por outro lado se quisesse sair com meu cachorro (Choliro), sem que o mesmo se envolvesse em memoráveis brigas, como era de seu feitio, era só usar uma COLEIRA. Mas num ficava bem para um conceituado Pedagogo, usar este prático e medieval instrumento de monitoramento em seus filhos. O negócio era mesmo marcar “corpo a corpo”. Hoje a Tecnologia se faz presente. Para os jovens, a detestável “COLEIRA” (celular) está sempre presente. Estatisticamente a idéia deu certo, tanto que o recurso é utilizado também por um grande número de casais de namorados. Sobra para os aficionados da liberdade, a desagradável tarefa de desligá-lo. E para os pais (e namorados) fica a antipática e detestável voz: “... sua chamada está sendo encaminhada para nossa caixa postal...” São os efeitos colaterais de qualquer sistema. Mas a velha e literal COLEIRA também apresenta falhas, como veremos a seguir no nosso “Causo”. Um matuto conhecido por “ Joaquim Tatu”, tinha um ranchinho ali no espigão da Água da Cobra, nas terras da Fazenda Sta. Amélia, onde vivia com sua família. Um renque de Bacuris. Vivia da caça que era abundante e da pesca no Rio Capivara. Certa feita, pegou numa armadilha um cateto vivo e domesticou-o. Deixou o habitante das florestas “MANSO DE COLEIRA”. Assim estava pronto para a venda. Foi negociá-lo na Roseta. Depois de várias pingas, já “chumbado”, segurava o cateto numa cordinha presa a uma COLEIRA. Perguntaram se num tinha medo duma eventual fuga e ele disse que não. Segurando a cordinha sentia os “tranquinhos” do animal preso. Ai entram em cena os “arteiros” (Zé Norato, Zé Loureiro, Tio Juvêncio, etc). Estando o dono do animal dentro da venda e o próprio do lado de fora, um dos “arteiros” segurou de leve a cordinha e ficou dando “tranquinhos” enquanto outros deram liberdade ao animal, mesmo sem portar nenhum alvará de soltura. Repentinamente, Joaquim sentiu a ausência dos puxões. Assustou-se, mas já era tarde. O Cateto tinha “embrafustado” numa capoeira abaixo que ia até o Rio Capivara e nunca mais foi visto. Ficou só “Joaquim Tatu” ameaçando de morte quem havia intercedido em favor da pequena presa.(oldack/27/02/012).XXX
Escrito por Oldack às 07h58
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O Usual e o Diferente “... o diferente pode fazer a diferença...” É muito comum o cidadão reclamar do atendimento do pessoal da Segurança Pública (Polícia rodoviária, militar e bombeiros). Foi preciso caminhar pela vida um punhado de anos para entender a razão do não atendimento que se esperava. Acontece que à medida que adquirimos experiência ficamos também mais exigentes. E daí achamos que precisamos ser atendidos no momento que solicitamos ajuda. Sucede que às vezes existem solicitações mais urgentes e isso o pessoal da Segurança Pública sabe. Outro dia um enxame de Abelhas Africanas (Apis Mellifera + Scutella Lepetier) resolveu descansar numa mangueira da minha rua. Exatamente numa época em que lá se encontravam frutos maduros, no ponto da criançada saborear. Fiquei apavorado,conhecedor que sou do perigo que representa um enxame desse tipo de abelha. Procurei o Corpo de Bombeiros, que ocupados, não me atenderam porque eu estava de carro(?). Fui então até o quartel da Polícia Militar. Lá disseram que essa tarefa era do Corpo de Bombeiros. Liguei para o Corpo de Bombeiros e me pediram para procurar um apicultor (do qual me dariam o endereço). Nesse ponto achei que estava saindo de minha função (professor aposentado). Resolvi então FAZER DIFERENTE. Disse que ficaria tomando conta do enxame enquanto eles tomassem as providências. Disseram que poderia haver demora. Pedi, então, auxílio á Guarda Municipal. Disseram que iam ver o que podia ser feito pois não tinham nenhuma viatura disponível no momento. Para não ficar sozinho na posição de guardião de insetos e crianças, solicitei a presença da imprensa. Surpreendentemente a Guarda Municipal apareceu. A imprensa também. Por fim o Corpo de bombeiros com o cobiçado Apicultor. Tudo resolvido embora presente a “confusão” que aprontei. Mas o DIFERENTE acabou dando certo. O passar da idade é que afinal me fez ficar exageradamente exigente. Certa feita depois de ter seu celular furtado, minha filha caçula ligou para a operadora a fim de cancelar os serviços do aparelho. Não deu certo! A atendente afirmou que deveria ter algum dado errado. Aí ela usou o expediente do Pai. Resolveu FAZER DIFERENTE. Ligou de novo e digitou: “reclamação sobre falta de envio do boleto de contas”. A funcionária atendeu prontamente e depois de conferir dados, disse que estava tudo certinho e que o sistema estava enviando “direitinho” as correspondências. Os dados foram confirmados e tudo estava certo. Disse que outras vias seriam enviadas. E finalmente a pergunta salvadora: “Mais alguma coisa senhora?”. De propósito, nossa heroína aproveitou e solicitou então, o cancelamento da linha o que, de imediato, foi feito. Tudo isso me fez lembrar um “Causo” narrado pelo nosso querido escritor Luiz Fernando Veríssimo. Certa noite, já lá pelas tantas, ouviu um ruído estranho e pela fresta da veneziana viu que tinha um sujeito forçando sua janela. Com cautela ligou para a polícia que perguntou se o ladrão estava dentro de casa, se estava armado, qual era o tipo físico e mais alguns dados de somenos importância. A seguir a solução pouco satisfatória: NO MOMENTO NÃO TEMOS NENHUMA VIATURA DISPONÍVEL, mas vamos ver o que podemos fazer pelo Senhor. Pode ser que demore... Surpreso, nosso herói desligou o aparelho e ficou pensando... Como escritor tem o hábito de pensar rapidamente, resolveu FAZER DIFERENTE. Pegou o aparelho e ligou novamente para a Polícia: Olha sobre aquela solicitação que há pouco fiz, quero cancelá-la. Com uma escopeta calibre 12 que tenho em casa, dei um tiro no ladrão que teve sua barrigada pregada no muro. Tá morto!!! Quando vocês puderem venham fazer o levantamento do corpo. Qualquer coisa me chamem. Agora vou dormir e amanhã me levanto tarde... Mal colocou o aparelho no gancho já ouviu o ruído do motor de um helicóptero com potentíssimo holofote aceso, uma viatura do Resgate, sirenes de viaturas ( eram 8), 1 Tático móvel, uma estação volante de TV e uma equipe dos Direitos Humanos, que afinal não podia perder a oportunidade. Perplexo e surpreso o ladrão foi preso em flagrante e ainda conseguiu balbuciar: “...orra meu! Num sabia que esta casa era do Comandante do Exército!!!”. E já nos “finalmentes” o comandante da PM, voltando para o dono da casa afirmou: “... o senhor mentiu!!! Não disse que tinha matado o cara???” “...sim, mas o senhor também não disse que não havia nenhuma viatura disponível???” (oldack/14/02/012).X
Escrito por Oldack às 16h09
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