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Blog do Oldack Mendes


 

Eu vi... (última parte)

 

Eu vi, numa morna tardezinha de novembro

Enquanto o primogênito visitava as flores de seu jardim,

Nuvens negras do lado Norte (Roseta) vindo em minha direção.

Não me lembra que daquele lado

Tivessem vindo tempestades consideráveis.

Mas veio,  e a exemplo do que fez com algumas

De minhas companheiras, me deitou, me tombou...

Nada sofri a não ser a postura fidalga e ereta

Que na entrada do REINO ENCANTADO,  por décadas, ostentei...

O Primogênito ficou triste!!! Muito triste... Mas eu não...

Sei que a NATUREZA NÃO TEM SENTIMENTO... (oldack/02/08/014 – 19h07) Oldack, você pode estranhar que eu tenha alterado sua expressão "não lembro que" por "não me lembra". De início eu quis alterar para "não me lembro de que" mas me ocorreu  aplicar aqui um Machado de Assis  que eu acho muito elegante: "Me lembra que ..." com o mesmo sentido de " lembro-me de que...".X



Escrito por Oldack às 17h17
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EPOPEIA - 5.A PARTE

 

 

Eu vi a volta do Primogênito ás suas origens.

Não veio morar no Vale, mas o visitava diariamente.

Eu vi... O primogênito passar horas numa rede,

À sombra da grande jabuticabeira e a Mãe da Família,

Junto, com seus cachorros, sentada como se estivesse a niná-lo.

Mas não havia cantigas de ninar.

Havia Causos e mais Causos que enfeitavam

De Amor e de Saudade  o tranqüilo ambiente...

Eu vi... Sua saída e sumir pela última vez

Na mesma curva da estrada, mas viva,

Acompanhada da Irmã Única que a levava

Para tratamento da já debilitada saúde.

Mas... Ela nunca mais voltou...

Eu vi... O Primogênito tomar posse deste pedaço de chão.

Eu vi... E continuei acompanhando a História.

Tudo foi se transformando e fomos tragados

Por um oceano de cana de açúcar.

Eu vi... E continuei acompanhando a História.

O primogênito deu ao seu pedaço um nome de batismo

Que já existia em seu sentimento: REINO ENCANTADO.

A primeira tarefa foi devolver a floresta que ele ajudou a tirar

Na labuta da sobrevivência de todos.

A nova floresta,em  nada que se compara à antiga,

Mas a natureza não tem sentimentos como os Humanos.

Construiu  um pequeno lago onde os peixes nativos

Vivem como se da família fossem...

Eu vi... A Felicidade do Primogênito ao voltar de uma viagem

Onde esteve presente na entrada de sua Ultima Estrela Cadente

Na mesma órbita de um formoso asteróide

E com ele prosseguir pela imensidão da Via Láctea...X

 



Escrito por Oldack às 11h50
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Escrito por Oldack às 11h39
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EPOPEIA - 4.A PARTE

Pouco tempo depois, uma semana antes de seu aniversário,

O Lavrador recebeu de presente ,  uma boneca...

E o  Vale mais uma vez se encheu de alegria e felicidade...

Eu  vi...  Já no final da década,

Mais uma vez, o Vale entrar em clima de festa.

Era o Herdeiro unido à família pelo Amor,

Trazer para junto de si uma companheira

Que iria ajudá-lo na proposta da perpetuação da espécie.

E o primogênito aproveitando o eufórico clima,

Lançou a semente da última flor de seu Jardim,

Que meses depois, como uma Estrela Cadente,

Riscando a escuridão da noite,

Veio tornar o Jardim mais alegre e mais belo.

Eu vi o Primogênito, cansado das injustiças

Praticadas contra a Educação, voltar ás origens

E tentar a sorte na labuta com a terra.

Sabiamente não abandonou por completo seu sacerdócio.

E como a Educação não tem o “privilégio”

De ser a única injustiçada, voltou à labuta exclusiva

Com as letras, sua antiga e castigada paixão.

Eu vi... O Vale continuar a ser feliz e alegre.

Vi a chegada da primeira flor no Jardim do último Herdeiro,

E depois mais um que presenteou o grande Lavrador

Recebendo como carinhosa homenagem, o seu nome.

Eu vi... O encerramento da tarefa de perpetuação da espécie

Receber um personagem que alem da beleza

Trouxe como instrumento de sobrevivência, a inteligência...

Mas obedecendo a ordem Natural do Universo

Tivemos a impressão de termos aumentada a velocidade

De nossa passagem pelo tempo.

E a árvore genealógica multiplicou seus galhos

Começando a driblar nossa memória.

A Natureza não tem a pressa

E nem  os sentimentos dos humanos.

Aquele lavrador, obedecendo aos desígnios Naturais,

Deixou triste o Vale, e foi-se embora definitivamente...

Eu vi... Os amigos  conduzindo-o,  desaparecerem

 

Na última curva da estrada... X



Escrito por Oldack às 16h31
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( EPOPEIA - Continuação: 3.a Parte)


Eu  vi  o Primogênito e seu diploma de educador,

Diante de todas as dificuldades,

Sair pelo mundo à procura de trabalho, como apóstolo,

Na nobre tarefa de Educar.

Eu vi sua imensa alegria de comunicar aos Pais

Que iria para terras distantes, que na Noroeste iria morar,

Que levaria uma muda de Flor onde numa Ilha iria plantar.

De mãos dadas com sua Flor em direção ao Noroeste,

Caminharam, e cercados de água por todos os lados

Iniciaram o jardim num pequeno, mas lindo palácio.

Eu vi a felicidade daquele alegre distribuidor de letras

Vir mostrar seu primeiro carro.

Eu vi, devido à precariedade da estradinha,

Sair dela amparado pelo lavrador,  ao meu pé passar.

Eu vi, a volta do herdeiro de Cabeça Branca mais todos os seus

Juntar-se aos demais e comemorar as datas

De Confraternização do Mundo Ocidental Cristão.

Eu vi a felicidade inundar aquele Reino Encantado,

Ao receber um lacônico telegrama: “ Maria Rita chegou!”

Era a chegada da primeira flor, uma Rosa,

 Ainda em botão, enfeitar o fantástico Jardim...

Eu vi a alegria do herdeiro de Cabeça Branca ao encerrar

Sua tarefa na perpetuação da espécie,

Trazer uma pequena criatura que herdou de seu Pai

O amor e a dedicação ao trabalho...

Eu vi, pouco depois, todos entrarem em delírio

Ao receberem a visita de um frágil mas lindo botão...

Eu vi aquele cultor de conhecimento vir buscar

A Mãe da Família para dar aulas de Amor Maternal

 E  ajudar na labuta do jardim,

Que não parava de crescer e agora recebia

Um mimoso e lindo Jasmim...

E o Reino Encantado, com humildade crescia.

Eu vi a chegada, pelas mãos do primogênito,

De um barulhento ajudante na lavragem da terra.

O Reino Encantado nunca mais foi o mesmo.

A produção não parava de crescer... Mas, Eu vi...

Numa manhã  de Julho, nos meados da década de 70,

Um espesso manto branco cobrir o Vale,

E a Natureza  a exigir que tudo recomeçasse do princípio,

E não podendo ser diferente, assim foi feito...

Eu vi o Vale entrar em desespero

Diante do  acidente daquele Lavrador,

Ao operar a máquina barulhenta.

Eu vi passar aos meus pés o vizinho Tião Batista,

Levando para o hospital o amigo considerado morto.

Eu vi o desespero da Família ao   ir atrás dos recursos

Que a Medicina de então podia oferecer.

Eu vi a alegria de todos diante do sucesso da cirurgia.

Eu vi  o reconhecimento e a gratidão ao Médico que fez seu

Trabalho, de acordo com a posse da família,

E não conforme as exigências financeiras

Que o mercado da Medicina  estabelecia.

Eu vi a alegria do Vale receber de volta

O ilustre acidentado, chegando num DKW – VEMAG de cor vinho,

Trazido pelos irmãos de Amor, João Carlos e Nina.

A vida tinha vencido a incrível batalha...X



Escrito por Oldack às 16h25
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EPOPÉIA (continuação)

 

Eu vi um jovem herdeiro de Cabeça Branca que,

Com seu cavalo “ BAIO” me ajudava a enfeitar a paisagem.

E com apenas  14 anos, trabalhava tanto quanto um Homem.

Eu vi também a Irmã Única, zelosa e prestimosa

Que cuidava da casa e do caçula como se dele fosse a Mãe.

Eu vi a Mãe da Família, mentora da aquisição das terras,

A qual gostava mais da lida  na roça,

 Que dos afazeres domésticos, trabalhar de sol a sol.

Eu vi um chefe de família que nunca perdia a esperança.

As frustrações das safras creditava sempre no “ano que vem”.

Eu vi esse casal que,  com grande sabedoria,

Educava usando como instrumento o Amor e nunca o castigo.

Eu vi a construção da moradia com as tábuas da  velha tapera

Que não era tão velha assim, e onde tudo foi aproveitado...

Eu vi a alegria e o prazer daquele lavrador,

Como se tivesse construído  para sua família um grande palácio.

Eu vi o transporte da mudança e o Primogênito

Escolher o nome de batismo daquele Reino Encantado:

“ Sítio Novo Destino”...

Eu vi o criativo e inteligente dono desta terra,

Que era engenheiro por natureza,  convencer o regato

A mudar sua rota e irrigar novas terras.

Eu vi suas águas  se afastarem de seu costumeiro leito,

Passar em túnel subterrâneo sob a estradinha

E serpentear  o morro enfeitado de relva, árvores e mandacarus.

Eu vi  sua rota passar aos meus pés e seguir seu destino

Em direção a um receptador maior e depois ao infinito...

Eu vi a terra irrigada agora produzir fartura de alimento

Sem depender dos caprichos da Natureza em fornecer chuva.

Eu vi passar pela estradinha os convidados para o casamento

Daquele herdeiro esforçado e inteligente de Cabeça Branca.

Eu vi no mesmo dia o Primogênito encontrar sua  Amada

Que seria definitiva e deixaria uma grande contribuição

Para a perpetuação da espécie...

E vi sua alegria ao comunicar à família

Que se tornara Educador.

Eu vi a alegria e a felicidade inundarem o vale

Com a chegada da primeira Neta, depois a segunda...

Eu vi o impossível acontecer:

A felicidade e alegria que pareciam ser infinitas,

Aumentarem com a chegada do primeiro Neto...

Eu vi o País mergulhar numa ditadura militar

Auto-denominando-se “restauração dos princípios democráticos”

Em que o Povo sequer escolhia seus governantes.

Eu vi... O surgimento das crendices populares  de que

A  “casca do Ipê Roxo” era a panacéia para todas as doenças.

E de concreto só ficou uma cicatriz que carrego até hoje.

Eu vi a  Irmã Única unir-se pelos laços do amor, Ao seu, também

jovem  namorado e torná-lo parceiro até o final de seus tempos.

Eu vi aquele lavrador transformar as tabuas

De uma velha tapera em uma construção,  que parecia

Uma casinha de boneca saída de um conto de fadas.

Eu vi a felicidade daquele casal receber sua primeira moradia...

Eu vi...  Para alegria de todos,

A chegada daquela que é sua proposta de eternidade,

Uma linda menina de cabelos louros com a beleza

E a singela pureza de uma boneca de milho.

E depois outra, que era miúda em estatura

Mas enorme em vivacidade  e Inteligência.

 E depois um menino com um lindo sorriso,

Com o qual conseguia disfarçar todas as sua artes.

 E para encerrar sua árdua tarefa de Mãe,

 A chegada de uma linda boneca morena.

Eu vi o primogênito deixar a função de Educador

E ir para a cidade grande continuar seus estudos.

Eu vi a alegria da Mãe da Família

Contar para todos a mensagem recebida  pelo Rádio,

De onde tirava os custeios para seus estudos,

Dizer que estava tudo bem, mas com saudades.

Eu vi que a alegria da formatura do Primogênito

Foi ofuscada pela saída do herdeiro de Cabeça Branca

Em direção à cidade grande em busca de uma vida melhor.

Eu vi que este Vale era pequeno

Para a exuberância de sua inteligência e dedicação ao trabalho.

Eu vi a enorme tristeza de todos, em lagrimas,

Assistirem a ele, as malas e sua riqueza, as três crianças

Desaparecerem na última curva da estrada.

Eu vi o Primogênito dizer, numa tentativa de consolo aos avós:

“... um dia vamos ter saudades das coisas boas

 E também das ruins...

Das boas pelo prazer que nos dão,

E das ruins pelo prazer de saber que pudemos superá-las...”X

 

 



Escrito por Oldack às 15h59
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Epopéia

 

          O texto abaixo (EU VI...) é o início de uma Epopéia que escrevi sobre um Ipê-Rôxo que fica na entrada de meu Reino Encantado. No ano passado fomos a Indaiatuba encontrar com Tricin para comemorar seu aniversário. Foi quando uma rara tempestade, vinda do lado da Roseta  deitou o nosso herói que ainda continua   vivo e  com flores como determina a Natureza nessa época. Em homenagem ao centenário Guardião de meu Reino, postarei em série, a Epopéia, por completo, em quatro partes. (oldack/08/07/014 - 10h53) Muito bonita, Oldack, esta Epopéia do Ipê centenário que a tudo presenciou e confessa que viu.X

 

Eu vi...

(Primeira parte)

Há não sei quanto tempo, na noite da História,

Este vale coberto por uma densa floresta.

Era jovem e não sabia que as companhias eram importantes.

Eu vi o regato (Limoeiro) correndo com suas límpidas águas,

Repletas de peixes e outros seres que nem me importaram.

Eu vi tempestades que fustigavam nossas galhadas,

Mas que deixavam a nossa cobiçada terra, molhada...

Eu vi pássaros em bandos que só achavam mais importante

Que seu canto, as sementes e os frutos que saciavam sua fome.

Eu vi animais estranhos que pareciam nossos vizinhos símios,

Que não usavam os galhos como caminho para se deslocarem.

Eu  vi esses animais portando instrumentos que sacrificavam

Minhas companheiras e as afastavam de seu trajeto.

Eu vi esses mesmos animais, como por encanto,

 Usar um instrumento que à distância,

Com um ruído envolto em fumaça,

Abatia  os animais que viviam na floresta virgem.

Eu vi depois que,  em algazarra devoravam suas carnes.

Eu vi esses animais em grupo, cantando e se comunicando,

Abatendo a golpes, com estranho instrumentos,

As minhas companheiras que caíam na ânsia da morte.

Eu vi, parece que por vingança, atearem fogo em seus corpos.

Eu vi que jogaram sementes e mudaram a paisagem.

Eu vi que trouxeram outros animais que não eram da floresta.

Eu vi nascerem arbustos que davam um rosado e ácido fruto.

Eu vi o regato, com suas águas cristalinas,

Receber o nome desse colorido fruto,

Num batizado simples e sem cerimônia.

Eu vi construírem  estranhos  abrigos  ao longo do vale.

Eu vi que se multiplicavam e surgiam pequenos seres lindos,

Barulhentos, alegres e  que pareciam inofensivos e  felizes.

Eu vi uma linda adolescente  com nome de Continente(América),

Montada em um cavalo ruzio e bem tratado,

Levar para esses seres do vale,

Algo maior que o significado de seu nome:

A Alfabetização como grande instrumento

 Na aquisição do Conhecimento Humano.

Eu vi os grandes proprietários de terra se revezarem no poder.

Eu vi um caipira inteligente  e  sábio

Passar esta propriedade para um banqueiro.

Eu vi,  inacreditavelmente, este banqueiro lotear a propriedade

E fazer uma reforma agrária doméstica,  sem os entraves da Lei,                                        

Vendendo lotes a pequenos lavradores a longo prazo.

Eu vi um destes lavradores, semi analfabeto, mas sábio,

Conhecedor de uma incipiente matemática e, de posse

 De uma corrente de arame,  traçar todas as divisas dos sítios.

Eu o vi  escolher este lote, o primeiro, onde vivo,

E adquiri-lo definitivamente.

Eu vi seu  claudicante primogênito, apaixonado pela terra,

Entrar em transe de tanta  felicidade.

Eu vi esse pequeno amante da Natureza fazer neste solo

Sua primeira colheita: Um pequeno feixe de lenha seca.

Eu vi minhas parceiras que encimavam o lote

Ceder lugar a uma linda plantação de algodão.

Eu vi as dificuldades para saldar as dívidas da aquisição.

Eu vi o banqueiro dizer-lhe: “Vá trabalhar Chico,

No ano que vem as coisas correm bem e você paga...”

Eu vi dois anos depois, como por encanto,

A profecia daquele Homem de negócios se concretizarem.

Eu vi

chegar o último dos herdeiros da família,

Que não  fora ligado  pelo sangue,  mas sim pelo Amor...X

Fim da 1.a Parte 



Escrito por Oldack às 10h07
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2 014 – Uma Odisséia no Estádio

     

No final dos anos 60 assisti a um filme, se não me engano, “2 001, uma Odisséia no espaço”. Tratava de uma viagem interplanetária de cientistas procurando dar rédeas às conquistas do conhecimento. Entre outras coisas pude ver à luz da Teoria da Relatividade a complexa relação entre tempo e velocidade. Isso quer dizer que no espaço sideral, a uma velocidade próxima da velocidade da luz, a medida do tempo   é diferente do tempo  dentro da atmosfera do nosso planeta. Isso quer dizer que alguns segundos no espaço, à velocidade da luz,  pode significar séculos dentro de nossa atmosfera. Pois bem, a viagem dos cientistas, dentro da nave durou alguns dias. Terminados os trabalhos de pesquisa a nave volta à superfície da Terra. Notaram que a aterrissagem foi tranqüila uma vez que as condições meteorológicas estavam excelentes. Céu azul, límpido, salpicado com pequenos cúmulos semelhantes a capuchos de algodão. Saíram da nave numa bela praia deserta, de branquíssimas areias tendo atrás suaves contrafortes de rocha. Sem saber exatamente onde estavam foram caminhando e, de repente, a visão que tiveram provocou uma extraordinária perplexidade: Enterrada uma boa parte na areia, estava a cabeça da Estatua da Liberdade. Dai é que perceberam e exclamaram: “ ...Oh meu Deus! Eles destruíram tudo!!!”

 

         O que me fez lembrar esse relato, já embaçado pela poeira  do tempo, foram os acontecimento de ontem à tarde (08/07/014). Por volta das três horas vieram me avisar que meu gado tinha arrombado a cerca e embrenhado no oceano dos canaviais onde meu Reino Encantado forma uma minúscula ilha. Consertar a cerca até que não consumiu  muito tempo mas juntar o rebanho naquela imensidão verde acabou consumindo umas cinco horas. Perdi  então a oportunidade de assistir ao jogo Brasil x Alemanha pelas semifinais da Copa. Quando cheguei em casa liguei a TV e a imagem que vi me fez lembrar  as últimas cenas do filme  por mim aludido no início. Galvão Bueno com semblante visivelmente triste e transtornado. Patrícia Poeta com rosto aparentemente inchado pelo prolongado pranto. E a perplexa exclamação do famoso narrador: “ ...Oh meu Deus!!! Perder a Copa já suportamos várias vezes, mas 7 a 1, em casa, pode ser considerada a maior catástrofe que o mundo esportivo já assistiu...” (oldack/09/07/014)X A seleção perdeu mas o Brasil já ganhou o primeiro tempo.Esperamos que ganhe também o segundo. Nem precisa ser de goleada. Pode ser de 1X0.



Escrito por Oldack às 11h45
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 O Futebol e o Patriotismo


"...o canto do Hino Nacional é uma manifestação da Alma e não o cumprimento da Lei..."     

          O canto do Hino Nacional Brasileiro tem emocionado o Povo quando cantado à capela nos estádios, por ocasião do início dos jogos da Copa. Ouviu-se a primeira vez num jogo realizado em Belém do Pará, em 28/09/011. Na época escrevi uma crônica que agora acho pertinente reeditar.

         “ A partida de futebol realizada em Belém do Pará (28/09/011), entre Brasil e Argentina encheu de satisfação os torcedores brasileiros. Mas eu tenho a mania de quando todo mundo está apreciando a beleza da pintura, fico apreciando a técnica e o capricho de quem fez a moldura. E daí me chamou a atenção o espetáculo que foi a apresentação do Hino Nacional Brasileiro. Se o pessoal da ditadura estivesse presente ficaria babando de inveja. A ditadura tudo fez para criar um “Patriotismo” de fora pra dentro. Até lei específica foi promulgada (Lei 5.700). Mas nunca se conseguiu arrancar da garganta (isto é, de dentro pra fora), com tanta força a maravilhosa música e a Letra, exageradamente culta, de nosso Hino Nacional. E olha que estou falando apenas do som. Quem viu a imagem poderá deixar essa crônica infinitamente mais rica. E tem mais, ninguém ensaiou a apresentação. É que apenas melhorou um pouco a qualidade de vida do Povo. O canto de um hino é um agradecimento e não uma promessa. Canto porque estou feliz. Não canto para um dia ser feliz. Senti saudades porque fui Orientador de Educação Moral e Cívica no CIU, Ilha Solteira,durante a ditadura. E nunca consegui fazer as coisas do jeito que eu acreditava. Tinha que ser de acordo com o catecismo autoritário deles.  Ao realizar uma eleição para a Diretoria do Centro Cívico MMDC (nessa época não podia ter grêmio), fizemos um projeto da criação de Partidos Políticos. Para contestar o regime,  sugerimos fugir da regra do bi partidarismo ( ARENA e MDB, cortina de fumaça para disfarçar o regime de força). Modestamente ficamos no tri partidarismo. E daí uma “daquelas cobras que estavam sendo criadas” chamado Homero Saes, acompanhado de seu grupo criou o MORFOSE (Movimento Revolucionário das Forças Estudantis). Atente para o nome em plena ditadura. Não deu outra: o Ilustre Coordenador foi chamado pelo então delegado Wagner Lombisani, para dar esclarecimentos. Argumentei que se tratava de uma aula de criação de partidos. Que essa era nossa intenção. ... Não entendemos assim disse o Delegado: ... uma coisa, meu caro professor, que o Sr. precisa entender: quando alguém faz ou diz algo que dá duas interpretações, esse alguém é responsável pelas duas... Alguns anos depois experimentei um pequeno gole dessa satisfação. Foi na abertura duma tradicional gincana que realizávamos anualmente, com todos os alunos do Colégio Euclides da Cunha, em Ilha Solteira. Sendo eu diretor do Colégio e coordenador da gincana, reuni como de costume, os alunos no pátio das Bandeiras para o Hasteamento, acompanhado do canto do Hino Nacional Brasileiro. Fiz um curtíssimo discurso em que disse: ... estamos felizes porque vamos iniciar uma manhã de brincadeiras e por isso vamos, com bastante força, agradecer a esta Terra que nos deu essa exuberante Natureza e Saúde para desfrutá-la...   Como todo Pai que acha que aquilo que o filho faz é a coisa mais importante do Universo, só vi coisa tão bonita quando assisti àquela manifestação em Belém do Pará... (oldack/03/10/011)X”.    Nota do Revisor:  Oldack, fiz dois reparos neste seu texto. Hino cantado" à capela" e não em capela.  "À capela" quer dizer à maneira como se cantavam os hinos sacros nas pequenas capelas (igrejinhas) que não dispunham de  órgão nem de qualquer instrumento musical para o acompanhamento. Também se diz, de maneira menos erudita ou elegante "cantar a seco". Outro reparo que fiz foi na frase "crônica que agora acho pertinente reeditá-la".  Me pareceu que houve uma redundância de pronomes, porque  o pronome relativo "que" já significa "a qual". Então não é necessário acrescentar o pronome oblíquo "la" no fim da frase. Obs.   Como seria bom se esse MORFOSE fosse ressuscitado hoje para  recuperar  nosso pavilhão auriverde e banisse esses trapos vermelhos  que estão sendo agitados pelo Brasil afora. Como os tempos mudam as cabeças das pessoas!  Ou será que nos querem  imbecis e cegos?!!!



Escrito por Oldack às 16h50
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Os Bois e os Guaribas


“... o hábito faz o Monge...”

          No dia a dia do contador de “Causos” acontecem coisas inusitadas. Esta semana por exemplo recebi uma carta manuscrita do Xicão, meu revisor de textos. Mandou um “Causo” que segundo ele era contado por seu Avô, morador nos sertões das Minas Gerais. Nas recomendações preliminares, diz ele, que trata-se de um roteiro onde posso usar a minha imaginação férvida (segundo ele) e ilustrar à minha vontade. Acontece que o indivíduo em questão é especialista nas coisas de nossa língua. Fora que é poeta e escritor de fina cepa. E fiquei preocupado sobre como poderia dar continuidade a uma tarefa que havia sido iniciada por especialista. Daí meu Anjo da Guarda que estava de plantão sugeriu-me que fizesse uma introdução e que o seu texto fosse transcrito  “ipsis litteris”. Quem de bom senso poderia recusar a proposta de entrar num time de futebol que já estava ganhando de quatro a zero no início do segundo tempo? E então mandei ver: “... Meu Avô costumava contar este Causo  que, segundo ele, se refere a um fato acontecido na Fazenda do Bom Retiro, de sua propriedade. Nesta fazenda nasci e fui criado. Vivíamos da renda proveniente de toda  propriedade rural de pequeno e médio porte em  Minas Gerais. Plantávamos cana de açúcar e fabricávamos rapaduras, dentre outras atividades tais como cultivo de milho, feijão e arroz para o gasto. A moagem da cana era feita em ocasiões especiais. Levantava-se às duas da madrugada e à luz de candeias, alimentadas com azeite de mamona, se iniciava o trabalho no engenho. Tínhamos uma junta de bois que executava o trabalho de mover o engenho. Bois mansos: um azulego e outro de pelo avermelhado, tendendo para  escuro. Caboclo e Moreno eram seus nomes. Atados a uma manjara iam girando cordatos e tão tranqüilos que, às vezes,iam ruminando e mascando como se não estivessem  em serviço. O engenho tinha suas instalações numa área coberta, de mais ou menos uns doze metros de diâmetro onde os bois circulavam enquanto a cana era colocada nas moendas e a garapa jorrava   abundante. Ali pelas cinco e meia ou seis da manhã já estava cheia uma tacha que dava cerca de  noventa rapaduras. Para uma segunda tachada já estava cheio também um cocho.

         A fazenda ficava numa grota cercada de montanhas, como é comum em Minas Gerais. Na confluência de cada montanha uma bela e límpida aguada. No topo das montanhas muita mata que meu Avô não permitia  fosse derrubada. Lembro-me das lindas orquídeas floridas nos troncos de inúmeras árvores gigantescas. Eram jacarandás, braúnas, carvalhos, angicos e jequitibás dentre muitas outras. Essas árvores e toda a mata eram freqüentadas por uma fauna considerável. Nas tocas muitas pacas, cutias e caititus. Nas copas das árvores era uma festa ver a algazarra dos papagaios e periquitos convivendo pacificamente com diversas espécies de símios. Macacos prego (piticó!), monos, guaribas e sagüis. Os guaribas, sobretudo, eram muito festeiros. Emitiam um som característico que se ouvia longe.

          Deu-se que um  dia um agregado da fazenda, por nome  Zé Marcolino, tendo saído à procura dos bois para o trabalho da moagem, não os encontrou. Voltou e relatou ao meu Avô, Seu Zé Pedro, que não havia encontrado nem  rastro de Caboclo e Moreno. Meu Avô então perguntou: você procurou na mata? Esses bois são muito veiacos  e podem estar escondidos na mata. Zé Marcolino bateu  pra mata.  A certa altura ouviu os Guaribas fazendo sua farra. Havia um vinhático frondoso que se destacava na mata e era muito freqüentado por esses macacos. Zé Marcolino achou de esquecer os bois e foi observar os Guaribas. Caminhou até a proximidade do tronco do vinhático. Um belo tronco com cerca de vinte metros de altura por um metro de grossura. Ao se aproximar da árvore: surpresa! Caboclo e Moreno, ao ouvir dos monos um som semelhante ao do engenho, na concepção deles, puseram-se emparelhados a girar ao redor do tronco, como se no engenho estivessem. Havia chovido muito e a junta de bois já devia estar ali "moendo" havia  bastante  tempo, porque o barro que amassaram lhes cobria as canelas. Zé Marcolino tocou os animais para o curral e, apesar de estarem enlameados, Seu Zé Pedro não quis acreditar no relato do agregado. Isso é conversa pra boi dormir. Você está inventando moda E  tem mais, disse Zé Marcolino. Agora é que estou entendendo aquele pisoteio em volta do jequitibá e do jacarandá grande! Macacos me mordam!...”  (oldack/05/06/014)X  Nota do Revisor: Meu amigo Oldack,  é muita gentileza sua permitir que eu me intrometa  na maestria dos seus causos como co-autor e não como leitor, que é o meu lugar. Não foi essa minha pretensão mesmo porque, como diziam os romanos, "Ne sutor ultra crepidam", ou seja: o sapateiro não vá além das sandálias. Quando eu disse "bateu pra mata" você  digitou "bateu a mata".Aqui você entendeu como se fosse  "vasculhou a mata ," mas o que eu disse foi " dirigiu-se para a mata",como se diz no interior de Minas. Essa  forma de expressão encontra respaldo inclusive no incomparável  escritor mineiro Guimarães Rosa. Aliás Oldack  você deveria ler alguma coisa  desse escritor. Você se encantaria a tal ponto que levaria broncas da  Luzia por  não  se lembrar dos pedidos dela. Comece pelos contos do livro Sagarana.Leia  o conto "O Duelo", depois o "A Hora e Vez de Augusto Matraga". Depois você pode ler qualquer outro. Não é necessário seguir a ordem do livro porque são contos independentes. Pelo que tenho notado no seu estilo você vai encontrar a mina de ouro de descrições de paisagens  ,de  pessoas, de lugares, de bichos e plantas. Se não encontrar esse livro nas livrarias da cidade  você o encontrará ,sem dúvida, nas bibliotecas das escolas ,  públicas ou particulares. Um abraço! X



Escrito por Oldack às 11h36
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O Tatu e o Cavalo


          Francamente eu achava que contar “Causos” era uma característica de poucos (muita pretensão minha). Mas na verdade parece que em todo lugar tem sempre um grupinho que se diverte sem o lugar comum imposto pelos meios de comunicação. Dessa vez a notícia vem de Araçoiaba da Serra, através de um Amigo Irmão, “Osvardão” ou então “Cumprido”, homenagem ao sábio Henfil (Pasquim), criador de um  personagem seu que era amigo do “Fradin”.

          Segundo essa figura (Osvardão),  um grupo se reúne na feira aos domingos, ouvem e,  se sobrar espaço,  podem até contar “Causos”. E foi de lá que veio essa preciosidade que a seguir passo a relatar:

          João Virgílio  era trabalhador da roça e tinha um bom sítio encravado aqui pelos nossos sertões, na barra do Sapé em Conceição do Monte Alegre, posto avançado da Estrada de Ferro Sorocabana, no início do século passado. Plantava de tudo para sobrevivência e tinha bom pasto onde conviviam boas vaquinhas leiteiras e cavalos para a lida com o gado e puxar carpideira. Quem cuidava da  lida na roça mesmo era a filharada. Ele, na verdade, era “capador de porca” e do que  mais gostava  era  pescar no  ribeirão do Sapé, água de porte médio para grande. Outro passatempo predileto era a prática da caça. Andava sempre acompanhado de “viadeiros”. Somavam mais de vinte.

          Uma ocasião, quando voltava do “patrimonho”,  montado num cavalo pedrez, que fugindo do estabelecido atendia pelo nome de “Baio”,  viu, em desabalada carreira pela estradinha, um tatu “Peba”, dos grandes. Devia pesar bem mais que um avantajado leitão. Como todo tatu, não se fez de rogado, tentou entrar num buraco de algum colega seu que estava apenas começado, como obras de prefeituras planejadas pouco antes de eleições. Para motivos de segurança, servia. Era só cavar mais um pouco. E sem perder tempo se meteu na tarefa. João Vergílio, rapidamente pulou do Baio e segurou o fugitivo pelo rabo que era a única coisa que ainda estava de fora. Mas todo mundo sabe que é praticamente impossível arrancar pelo rabo, um tatu do buraco. A Natureza o dotou de um instrumento com funcionamento de fisga e ninguém muda com facilidade sua intenção. Como nosso herói, conheço 3 formas de contrariar as decisões do “Peba”: A primeira é um bom “barde” de água a ser despejado no buraco. A segunda é um enxadão que alarga o buraco e o solitário onívoro não tem ponto de apoio para suas “fisgas”. E a terceira não posso incluir nesse conto porque na segunda feira as professoras lêem meus “Causos” para as crianças da Escola e isso poderia suscitar curiosidade em todos e viriam perguntas difíceis de serem  respondidas. A solução, como não podia contar com a cachorrada que havia “levantado um Mateiro” a poucos quilômetros atrás,  seria correr em casa e trazer o enxadão, mais fácil de carregar que um balde de água. Mas  isso permitiria que o tatu concluísse o objetivo da obra e nunca mais fosse  encontrado. Solução de emergência: amarrou o cabo do cabresto do Baio no rabo do apreciador de formigas. Foi bem pensado e foi bem feito. Correu em casa. Dentro de 15 minutos estava de volta. E qual não foi sua surpresa  ao ver que a única coisa que ainda estava pra fora do buraco era o rabo do Baio. (oldack/19/05/014) X

 

 



Escrito por Oldack às 12h03
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O Homem erra, Deus perdoa e a Natureza se vinga


          Não gostaria de que esta crônica fosse ligada aos últimos acontecimentos. Catástrofes sempre existiram e vão continuar existindo. Elas fundamentalmente estão ligadas a duas causas: A primeira trata da ação do homem sobre a Natureza. O desmatamento, a queima de combustíveis fósseis, o represamento dos rios, o aumento desordenado dos centros urbanos, etc. Aqui não entram as catástrofes provocadas propositalmente pelo Homem com a intenção de causar prejuízo (lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, a destruição das Torres Gêmeas em Nova Yorque, etc.). Este tipo de fenômeno dificilmente deixará de acontecer. Por mais que se precavenha, os efeitos colaterais indesejáveis sempre irão aparecer. O Homem falha. É próprio de sua natureza. Lembram de Adão e Eva? Então... A segunda causa das catástrofes acontece independente da ação humana. São os furacões, maremotos, terremotos, vulcões ( a destruição de Pompéia), a glaciação e assim por diante.

          Um dia desses ouvi um geólogo dizendo que a Natureza não acerta e nem erra. Ela está lá. Ela é o que é. Ela acontece independemente do que é certo ou errado. O que é certo pra ela? O que é errado? Quem tem essa noção é só o Homem. Pior. Varia de acordo com sua cultura. O Tietê não invadiu a Vila Pantanal. A Vila Pantanal é que invadiu o Tietê. O Rio não sabe o que é certo ou errado. Mas o Homem sabe. E erra. Erra o miserável por falta de opção. Erra o político por incompetência ou por interesse. Erra o empresário por ganância quando supervaloriza a vista pro mar do alto de uma encosta e minimiza os riscos que ali estão presentes.

E dai? O que sobra? sobra a esperança (do Homem, é claro) que DEUS na sua suprema sabedoria e bondade perdoe a todos nós.(Oldack/11/01/010).X Oldack, no causo anterior ,o do tatu eu, por inépcia em lidar com a  máquina, não consegui completar uma observação sobre o emprego do verbo " haver". Você disse "há poucos quilômetros atrás".Esse verbo é usado quando tem o sentido de existir, podendo ser substituído  por "faz", sempre no singular. Não é o caso aqui.Não se trata de tempo "há cinco minutos  isto é, faz cinco minutos". Aqui se trata de distância. A poucos quilômetros atrás. Sem descer a mais pormenores  fico apenas  com estas observações. Noutra oportunidade entrarei com mais detalhes esclarecedores.



Escrito por Oldack às 19h35
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A Rã e o Afortunado


 

Jamais diga uma mentira que não possa provar que é verdade. (Millôr)

         

          Estou vendo que sou um contador de "Causos" um pouco diferente. Não sei se pra melhor ou pra pior. Pra melhor seria porque em alguns "Causos", enfoco acontecimentos atuais.Nestes acontecimentos a veracidade dos fatos narrados pode ser facilmente verificada. Pra pior seria porque a enxurrada de fatos os torna revestidos de pouca novidade.

           Conta-se que um esportista, jogador de golfe, um tanto chateado com a rotina do dia a dia, caminhava lentamente pelo campo, quando repentinamente, viu num montículo de grama, uma esverdeada Rã. -Croc, croc, croc... Se fores jogar usa primeiro o taco de ferro... Disse-lhe o pequeno batráquio. Como não estava a fim de ficar teimando, por que não usar?... E TAFF! A bola foi cair a pouco mais de um metro do buraco. Um resultado como nunca antes havia conseguido. E a Rã: - Croc, croc, croc... -Apanha agora o taco de madeira... ... Ele apanhou o taco de madeira e a bola foi pro fundo do buraco. Muitas outras sugestões e os resultados sempre positivos. E, lógico, sempre acompanhados de estridentes Crocs, crocs... Num certo momento um Croc, croc, croc mais incisivo... -Croc, croc, croc... Já pra Las Vegas... Nesse momento a Rã tinha adquirido tanta credibilidade que nosso herói não hesitou. Pelo celular avisou à esposa e se mandou pro aeroporto comprando logo passagem para a Capital Mundial do jogo de azar... Ao desembarcar nos EEUU... -Croc, croc, croc... Direto pro cassino! Quem era ele para desobedecer? -Croc, croc, croc... Procure uma roleta e jogue tudo que puder... Apelou pra tudo que foi cartão. Mandou ver. 10 000 dólares. Afinal essa Rã tá com tudo!... -Croc, croc, croc... Preto 17... Roleta rodando e o coração ameaçando sair pela boca... -PRETO DEZESSETE!

          Foi um alvoroço... 1O milhões de dólares... Foi direto para um hotel, com a conselheira Rã a tiracolo... Alugou um apartamento imperial e, já no quarto jogou a Rã sobre uma colcha de cetim branco... Foi quando...: Croc, croc, croc... Agora quero um beijo! Na boca!

        O sentimento de nojo foi bem menor que o medo de perder tudo o que havia ganhado e ainda mais de poder não contar com tão fantástica assessoria, e: -XUIPTT!!! Eis que a Rã, com vocação pra profetiza, transformou-se numa lindíssima ninfeta nua, envolta apenas numa finíssima toalha branca...

     " Não é nada disso que vocês estão pensando!!! Juro por Deus que foi assim que consegui a minha fortuna e aquela menina foi parar naquele quarto do hotel!!! " Disse o ilustre Senador da República, ao Presidente da Comissão de Ética e aos seus membros, bem como a todos os Senadores, Deputados Federais e integrantes do Supremo Tribunal Federal.

E o final feliz da estória. Todos acreditaram!!! E NÓS TAMBÉM... (oldack/28/02/010).X

 




Escrito por Oldack às 18h57
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O Enterro e a Carona Macabra

“... não acredito em assombração, mas que existe, existe...”

No final dos anos 30 e por todos os 40, deu-se a abertura do Vale do Paranapanema e todo o Norte do Paraná. O principal passatempo das crianças da “Colônia Portuguesa”, moradia de meus avós, tios, tias e primos, era juntar-se, à tardezinha, prá ver os caminhões de toras passarem. Era um monumental desfile e conhecíamos, pelo nome, a maioria dos motoristas e ajudantes. A madeira, em toras brutas, era trazida para Paraguaçu Paulista para ser beneficiada nas serrarias do “Seu Lebrão” e do Isidoro Batista. Com estes personagens vinham também os respectivos “Causos”. Conta-se um fato ocorrido na bifurcação da estrada, próximo à Conceição. Quem trazia madeira da região de 1.o de Maio - PR, passava por Maracaí e Roseta. Quem vinha de Alvorada do Sul - PR, passava por Iepê-SP e ia direto para Paraguaçu Paulista. Pois nesta linha deu-se o acontecido. Faleceu um morador na região do Bairro do Saltinho (nas proximidades da Usina Cocal) e o corpo deveria ser enterrado em Conceição do Monte Alegre, onde ficava o cemitério mais perto. A distância a ser percorrida era de mais ou menos uns 15 km e o caixão era preso, em forma de rede, a uma vara forte, mais grossa que um cabo de enxada e transportado por homens. Dois à frente e dois atrás. O cortejo fúnebre deveria sair às duas horas da tarde para que o enterro acontecesse entre quatro e cinco horas. Acontece que por volta do meio dia começou a “chover de barde”. Ficou impossível sair com o falecido naquelas condições. Só por volta das quatro é que o tempo deu uma pequena estiada. Como a quantidade de homens não era grande para o revezamento, também não era possível aumentar muito o passo. Iam mais devagar. Enfim, era bem mais das seis e meia quando chegaram ao cemitério. Por mais rápido que tenha sido o procedimento, nada acabou antes das sete horas. A volta como sempre tinha como fato de honra uma parada no Bar do Rafaé (um jovem francês estabelecido no comércio), pra uma “batizada na garganta” que ninguém é de ferro. Nesta atividade sempre tem uns que usam calibre mais grosso. Mas ninguém ultrapassou o limite máximo tolerável. Terminada a “cerimônia” sem algazarra, como o acontecimento exigia, “ pé na estrada”. Terra roxa e água fazem um barro grudento que nem cera. Pra piorar, tempo encoberto provoca noite escura como breu. A exemplo de turma de eito, sempre tem um engraçadinho metido a corajoso que faz observações reprovadas pelos medrosos e despercebidas pelos demais: “U TRABAIÃO QUI U CUMPADI DEU PRÁ GENTE CARREGÁ ELE ATÉ AQUI BEM QUI PUDIA TÊ UMA AJUDINHA DELE PRÁ GENTE VORTÁ”. Quando estavam na entrada prá Roseta, surgiu por trás da luz de um farol, que pelo barulho do reboque, só podia ser caminhão de tora. E era. Deram sinal. Parou. “LEVA NÓIS ATÉ U SARTINHO? Sem ouvir resposta, todo mundo montou. Sem mais observações, arrancou. A velocidade não era comum. Mas decerto o motorista tinha pressa de chegar ao destino. Cada um se agarrava como podia. Pela intuição, todos acharam que já estavam próximos à estradinha que os levaria às moradias. Bateram na lataria da cabine e o caminhão parou. Antes dos agradecimentos, se mandou numa barulheira de Motor F-8, misturado com batidas do reboque. No meio da escuridão começam a procurar o colchete de arame da entrada. E nada! Logo veio a misteriosa observação: “GENTE!!! NÓIS TÁ AINDA NA ENTRADA DA ROSETA. NO MEMO LUGÁ QUI NÓIS MUNTÔ !!!”. (oldack/14/06/011). Tel. 018 3362 1477.X

 




Escrito por Oldack às 11h18
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O Velho e a Caduquice

 

          Hoje usa-se uma palavra científica: Mal de Alzheimer. Antigamente era CADUQUICE.  Os velhos perdiam a memória. Há, inclusive, uma triste e curiosa doença da memória: ela guarda o que aconteceu há muitos anos e não guarda o que foi dito alguns segundos antes." Lembro de uma conversa com minha tia já velha, era uma conversa sem jeito porque ela ficava repetindo perguntas  que havia feito  menos de um minuto antes, mas sua memória se esquecera não só da pergunta como também da resposta, e era inútil responder, porque a mesma pergunta seria feita de novo. ” (Rubem Alves).

          Os meios de comunicação, embora obcecados  pela catequização consumista, acabam, em “Off”, levando as pessoas à reflexão sobre os males que atingem  esta Criatura moldada à imagem e semelhança de seu Criador. E entre os males está a CADUQUICE. Atualmente uma renomada emissora, inseriu em sua trama um personagem que começa a sentir as conseqüências dessa doença.

          Mas eu sou contador de “causos” e não vou ficar sem deixar o meu testemunho dessa importante fase da vida. No passado, pouco distante, o sertanejo estava também sujeito a esse mal. Meu personagem chamava-se João Esposo, pai de Zé Esposo, marido de “Sabenedita”, famosa parteira na Água da Lagoa e cercanias.

          Seu João era carpinteiro afamado. Fazia tudo que se pudesse imaginar usando como matéria prima a madeira. Aos 84 anos, embora miúdo e de corpo enxuto, livre de gordurinhas, ainda pegava empreitas na lida em que era considerado “Mestre”.  (atenção A Semana: cont.  na próxima edição)

          Seu Hilário, morador da mesma Água,  resolveu entrar no ramo da produção de cachaça, mercadoria de demanda elevada em casas  dos roceiros e botecos dos “patrimonhos”. Partiu para a execução do projeto e uma das peças mais importantes do empreendimento era o COCHO, vasilhame destinado ao processo de fermentação da garapa. Madeira era o que não faltava, mas tal apetrecho requeria um tronco avantajado. Paineira era a solução, não só pelas medidas exigidas, mas também por ser macia e fácil de trabalhar. Devia ser em peça única, como era de costume, e de tamanho que comportasse pelo menos 5 mil litros de garapa. Quatro juntas de bois arrastaram o grande tronco ( 8 m de comprimento e diâmetro de 2,5 m) e o deixaram em frente à casa do carpinteiro na sombra de uma gigantesca Santa Bárbara. A obra não tinha prazo para entrega, mas também não podia acompanhar a pouca pressa exigida na construção de capelas.

          No dia seguinte munido de uma escadinha, uma enxó, um bom formão e um pesado macete, subiu no topo do solitário tronco. Não podia deixar de lado uma moringa com água      acompanhada de uma canequinha de alumínio e mais um bom pedaço de fumo de corda, “uma cabeça de paia de mio”, um canivete e uma binga.

          Sem alarde a obra começou com a retirada de grandes cavacos. Com paciência de monge, o trabalho foi sendo executado, sempre de cócoras, postura preferida pelos caipiras e,no caso deste, favorecido pelo  tipo físico .  Os dias foram passando. Só parava em dia de chuva pesada. Quanto mais a obra evoluía menos do carpinteiro se podia   ver. Sumiram as pernas, depois a cintura, os braços acompanhados dos ombros, a cabeça e por último o cocuruto do chapéu. Depois só a fumaça do cigarro de palha e os cavacos que eram descartados um a um. Ouvia-se além do ruído da enxó e do macete, uma enfadonha canção de cunho religioso: “...no céu, no céu, como minha Mãe estarei...”

          Certo dia, Seu Hilário que passava com freqüência para fiscalizar o andamento da obra,encontrou o artesão sentado num cepo com os cotovelos apoiados nos joelhos e o queixo apoiado nas  mãos, numa postura de absoluta e profunda  tristeza. Indagado do motivo de  tal desânimo, respondeu com voz sumida: “...VAROU NA GRAMA!!!”  (oldack/09/04/014). X Nota do Revisor: Meu caro oldack, só hoje dia 12 do corrente, tomei cnhecimento do seu "causo". Posto que atrasado, creio que se você  tinha compromisso  com o jornal já deve ter publicado, mas fiz alguns reparos mesmo assim .Se o seu personagem quisesse usar enxó com "ch",creio que o cocho seria cavado do mesmo jeito, mas como não é você que vai usar o instrumento em questão porque seu instrumento é outro bem mais leve, embora não de mais fácil mnuseio, prefira enxó com X  ,que até pode lembrar o cabo da dita cuja. Um abraço.

 

 

 

 

 



Escrito por Oldack às 19h26
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