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Blog do Oldack Mendes


O Enterro e a Carona Macabra

“... não acredito em assombração, mas que existe, existe...”

No final dos anos 30 e por todos os 40, deu-se a abertura do Vale do Paranapanema e todo o Norte do Paraná. O principal passatempo das crianças da “Colônia Portuguesa”, moradia de meus avós, tios, tias e primos, era juntar-se, à tardezinha, prá ver os caminhões de toras passarem. Era um monumental desfile e conhecíamos, pelo nome, a maioria dos motoristas e ajudantes. A madeira, em toras brutas, era trazida para Paraguaçu Paulista para ser beneficiada nas serrarias do “Seu Lebrão” e do Isidoro Batista. Com estes personagens vinham também os respectivos “Causos”. Conta-se um fato ocorrido na bifurcação da estrada, próximo à Conceição. Quem trazia madeira da região de 1.o de Maio - PR, passava por Maracaí e Roseta. Quem vinha de Alvorada do Sul - PR, passava por Iepê-SP e ia direto para Paraguaçu Paulista. Pois nesta linha deu-se o acontecido. Faleceu um morador na região do Bairro do Saltinho (nas proximidades da Usina Cocal) e o corpo deveria ser enterrado em Conceição do Monte Alegre, onde ficava o cemitério mais perto. A distância a ser percorrida era de mais ou menos uns 15 km e o caixão era preso, em forma de rede, a uma vara forte, mais grossa que um cabo de enxada e transportado por homens. Dois à frente e dois atrás. O cortejo fúnebre deveria sair às duas horas da tarde para que o enterro acontecesse entre quatro e cinco horas. Acontece que por volta do meio dia começou a “chover de barde”. Ficou impossível sair com o falecido naquelas condições. Só por volta das quatro é que o tempo deu uma pequena estiada. Como a quantidade de homens não era grande para o revezamento, também não era possível aumentar muito o passo. Iam mais devagar. Enfim, era bem mais das seis e meia quando chegaram ao cemitério. Por mais rápido que tenha sido o procedimento, nada acabou antes das sete horas. A volta como sempre tinha como fato de honra uma parada no Bar do Rafaé (um jovem francês estabelecido no comércio), pra uma “batizada na garganta” que ninguém é de ferro. Nesta atividade sempre tem uns que usam calibre mais grosso. Mas ninguém ultrapassou o limite máximo tolerável. Terminada a “cerimônia” sem algazarra, como o acontecimento exigia, “ pé na estrada”. Terra roxa e água fazem um barro grudento que nem cera. Pra piorar, tempo encoberto provoca noite escura como breu. A exemplo de turma de eito, sempre tem um engraçadinho metido a corajoso que faz observações reprovadas pelos medrosos e despercebidas pelos demais: “U TRABAIÃO QUI U CUMPADI DEU PRÁ GENTE CARREGÁ ELE ATÉ AQUI BEM QUI PUDIA TÊ UMA AJUDINHA DELE PRÁ GENTE VORTÁ”. Quando estavam na entrada prá Roseta, surgiu por trás da luz de um farol, que pelo barulho do reboque, só podia ser caminhão de tora. E era. Deram sinal. Parou. “LEVA NÓIS ATÉ U SARTINHO? Sem ouvir resposta, todo mundo montou. Sem mais observações, arrancou. A velocidade não era comum. Mas decerto o motorista tinha pressa de chegar ao destino. Cada um se agarrava como podia. Pela intuição, todos acharam que já estavam próximos à estradinha que os levaria às moradias. Bateram na lataria da cabine e o caminhão parou. Antes dos agradecimentos, se mandou numa barulheira de Motor F-8, misturado com batidas do reboque. No meio da escuridão começam a procurar o colchete de arame da entrada. E nada! Logo veio a misteriosa observação: “GENTE!!! NÓIS TÁ AINDA NA ENTRADA DA ROSETA. NO MEMO LUGÁ QUI NÓIS MUNTÔ !!!”. (oldack/14/06/011). Tel. 018 3362 1477.X

 




Escrito por Oldack às 11h18
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