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Blog do Oldack Mendes


 

EPOPÉIA (continuação)

 

Eu vi um jovem herdeiro de Cabeça Branca que,

Com seu cavalo “ BAIO” me ajudava a enfeitar a paisagem.

E com apenas  14 anos, trabalhava tanto quanto um Homem.

Eu vi também a Irmã Única, zelosa e prestimosa

Que cuidava da casa e do caçula como se dele fosse a Mãe.

Eu vi a Mãe da Família, mentora da aquisição das terras,

A qual gostava mais da lida  na roça,

 Que dos afazeres domésticos, trabalhar de sol a sol.

Eu vi um chefe de família que nunca perdia a esperança.

As frustrações das safras creditava sempre no “ano que vem”.

Eu vi esse casal que,  com grande sabedoria,

Educava usando como instrumento o Amor e nunca o castigo.

Eu vi a construção da moradia com as tábuas da  velha tapera

Que não era tão velha assim, e onde tudo foi aproveitado...

Eu vi a alegria e o prazer daquele lavrador,

Como se tivesse construído  para sua família um grande palácio.

Eu vi o transporte da mudança e o Primogênito

Escolher o nome de batismo daquele Reino Encantado:

“ Sítio Novo Destino”...

Eu vi o criativo e inteligente dono desta terra,

Que era engenheiro por natureza,  convencer o regato

A mudar sua rota e irrigar novas terras.

Eu vi suas águas  se afastarem de seu costumeiro leito,

Passar em túnel subterrâneo sob a estradinha

E serpentear  o morro enfeitado de relva, árvores e mandacarus.

Eu vi  sua rota passar aos meus pés e seguir seu destino

Em direção a um receptador maior e depois ao infinito...

Eu vi a terra irrigada agora produzir fartura de alimento

Sem depender dos caprichos da Natureza em fornecer chuva.

Eu vi passar pela estradinha os convidados para o casamento

Daquele herdeiro esforçado e inteligente de Cabeça Branca.

Eu vi no mesmo dia o Primogênito encontrar sua  Amada

Que seria definitiva e deixaria uma grande contribuição

Para a perpetuação da espécie...

E vi sua alegria ao comunicar à família

Que se tornara Educador.

Eu vi a alegria e a felicidade inundarem o vale

Com a chegada da primeira Neta, depois a segunda...

Eu vi o impossível acontecer:

A felicidade e alegria que pareciam ser infinitas,

Aumentarem com a chegada do primeiro Neto...

Eu vi o País mergulhar numa ditadura militar

Auto-denominando-se “restauração dos princípios democráticos”

Em que o Povo sequer escolhia seus governantes.

Eu vi... O surgimento das crendices populares  de que

A  “casca do Ipê Roxo” era a panacéia para todas as doenças.

E de concreto só ficou uma cicatriz que carrego até hoje.

Eu vi a  Irmã Única unir-se pelos laços do amor, Ao seu, também

jovem  namorado e torná-lo parceiro até o final de seus tempos.

Eu vi aquele lavrador transformar as tabuas

De uma velha tapera em uma construção,  que parecia

Uma casinha de boneca saída de um conto de fadas.

Eu vi a felicidade daquele casal receber sua primeira moradia...

Eu vi...  Para alegria de todos,

A chegada daquela que é sua proposta de eternidade,

Uma linda menina de cabelos louros com a beleza

E a singela pureza de uma boneca de milho.

E depois outra, que era miúda em estatura

Mas enorme em vivacidade  e Inteligência.

 E depois um menino com um lindo sorriso,

Com o qual conseguia disfarçar todas as sua artes.

 E para encerrar sua árdua tarefa de Mãe,

 A chegada de uma linda boneca morena.

Eu vi o primogênito deixar a função de Educador

E ir para a cidade grande continuar seus estudos.

Eu vi a alegria da Mãe da Família

Contar para todos a mensagem recebida  pelo Rádio,

De onde tirava os custeios para seus estudos,

Dizer que estava tudo bem, mas com saudades.

Eu vi que a alegria da formatura do Primogênito

Foi ofuscada pela saída do herdeiro de Cabeça Branca

Em direção à cidade grande em busca de uma vida melhor.

Eu vi que este Vale era pequeno

Para a exuberância de sua inteligência e dedicação ao trabalho.

Eu vi a enorme tristeza de todos, em lagrimas,

Assistirem a ele, as malas e sua riqueza, as três crianças

Desaparecerem na última curva da estrada.

Eu vi o Primogênito dizer, numa tentativa de consolo aos avós:

“... um dia vamos ter saudades das coisas boas

 E também das ruins...

Das boas pelo prazer que nos dão,

E das ruins pelo prazer de saber que pudemos superá-las...”X

 

 



Escrito por Oldack às 15h59
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Epopéia

 

          O texto abaixo (EU VI...) é o início de uma Epopéia que escrevi sobre um Ipê-Rôxo que fica na entrada de meu Reino Encantado. No ano passado fomos a Indaiatuba encontrar com Tricin para comemorar seu aniversário. Foi quando uma rara tempestade, vinda do lado da Roseta  deitou o nosso herói que ainda continua   vivo e  com flores como determina a Natureza nessa época. Em homenagem ao centenário Guardião de meu Reino, postarei em série, a Epopéia, por completo, em quatro partes. (oldack/08/07/014 - 10h53) Muito bonita, Oldack, esta Epopéia do Ipê centenário que a tudo presenciou e confessa que viu.X

 

Eu vi...

(Primeira parte)

Há não sei quanto tempo, na noite da História,

Este vale coberto por uma densa floresta.

Era jovem e não sabia que as companhias eram importantes.

Eu vi o regato (Limoeiro) correndo com suas límpidas águas,

Repletas de peixes e outros seres que nem me importaram.

Eu vi tempestades que fustigavam nossas galhadas,

Mas que deixavam a nossa cobiçada terra, molhada...

Eu vi pássaros em bandos que só achavam mais importante

Que seu canto, as sementes e os frutos que saciavam sua fome.

Eu vi animais estranhos que pareciam nossos vizinhos símios,

Que não usavam os galhos como caminho para se deslocarem.

Eu  vi esses animais portando instrumentos que sacrificavam

Minhas companheiras e as afastavam de seu trajeto.

Eu vi esses mesmos animais, como por encanto,

 Usar um instrumento que à distância,

Com um ruído envolto em fumaça,

Abatia  os animais que viviam na floresta virgem.

Eu vi depois que,  em algazarra devoravam suas carnes.

Eu vi esses animais em grupo, cantando e se comunicando,

Abatendo a golpes, com estranho instrumentos,

As minhas companheiras que caíam na ânsia da morte.

Eu vi, parece que por vingança, atearem fogo em seus corpos.

Eu vi que jogaram sementes e mudaram a paisagem.

Eu vi que trouxeram outros animais que não eram da floresta.

Eu vi nascerem arbustos que davam um rosado e ácido fruto.

Eu vi o regato, com suas águas cristalinas,

Receber o nome desse colorido fruto,

Num batizado simples e sem cerimônia.

Eu vi construírem  estranhos  abrigos  ao longo do vale.

Eu vi que se multiplicavam e surgiam pequenos seres lindos,

Barulhentos, alegres e  que pareciam inofensivos e  felizes.

Eu vi uma linda adolescente  com nome de Continente(América),

Montada em um cavalo ruzio e bem tratado,

Levar para esses seres do vale,

Algo maior que o significado de seu nome:

A Alfabetização como grande instrumento

 Na aquisição do Conhecimento Humano.

Eu vi os grandes proprietários de terra se revezarem no poder.

Eu vi um caipira inteligente  e  sábio

Passar esta propriedade para um banqueiro.

Eu vi,  inacreditavelmente, este banqueiro lotear a propriedade

E fazer uma reforma agrária doméstica,  sem os entraves da Lei,                                        

Vendendo lotes a pequenos lavradores a longo prazo.

Eu vi um destes lavradores, semi analfabeto, mas sábio,

Conhecedor de uma incipiente matemática e, de posse

 De uma corrente de arame,  traçar todas as divisas dos sítios.

Eu o vi  escolher este lote, o primeiro, onde vivo,

E adquiri-lo definitivamente.

Eu vi seu  claudicante primogênito, apaixonado pela terra,

Entrar em transe de tanta  felicidade.

Eu vi esse pequeno amante da Natureza fazer neste solo

Sua primeira colheita: Um pequeno feixe de lenha seca.

Eu vi minhas parceiras que encimavam o lote

Ceder lugar a uma linda plantação de algodão.

Eu vi as dificuldades para saldar as dívidas da aquisição.

Eu vi o banqueiro dizer-lhe: “Vá trabalhar Chico,

No ano que vem as coisas correm bem e você paga...”

Eu vi dois anos depois, como por encanto,

A profecia daquele Homem de negócios se concretizarem.

Eu vi

chegar o último dos herdeiros da família,

Que não  fora ligado  pelo sangue,  mas sim pelo Amor...X

Fim da 1.a Parte 



Escrito por Oldack às 10h07
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